11172401523462Eu poderia ter diversas coisas em comum com a Emma Stone: a beleza, o talento, a conta bancária, o namorado. Mas como o destino é um fanfarrão, eu, ela e um terço da população mundial fomos agraciados com crises de ansiedade.

E foi com uma mostra dessa maravilhosa enfermidade dos infernos que eu botei meus dois pezinhos em 2017.

Para quem já leu meus textos no Facebook ou convive comigo fora do ambiente virtual, a metáfora já é conhecida. Se você ainda acha que ansiedade é aquela antecipação gostosa a uma festa ou a uma viagem, vale a explicação. Ansiedade é o transtorno que faz seu cérebro se transformar em um terrorista que faria o Estado Islâmico parecer um bando de delinquentes juvenis.

Nas crises mais suaves, você percebe claramente que seu cérebro está dividido em dois. Enquanto uma parte entra em surto, fazendo com que você tenha uma série de pensamentos perturbadores, a outra se envergonha pelo escândalo e lamenta o mimimi. Nas moderadas, a parte racional da sua mente começa a dar ouvidos àquela que surta, o que torna a crise ainda mais desconfortável. Agora, nas mais severas (e perigosas!) nenhuma micro parte do cérebro consegue agir de forma racional e você se vê totalmente entregue às sensações assustadoras que o seu cérebro produz. E aí, boa sorte para tentar distinguir o que é “sensação” e o que é realidade.

Foi uma dessas que eu tive no primeiro dia do ano. Como explicar o que eu senti? Eu não saberia dizer com clareza, até porque uma das coisas que a ansiedade faz é sumir com a sua capacidade de raciocínio. Mas posso dizer que, mesmo sem nunca ter pensado em suicídio, pela primeira vez eu entendi quem decide por fim à própria vida. Acho que quem pensa nisso ultrapassou um limiar de dor onde não é possível pensar em outra coisa.

Veja bem, não é que eu não gostaria de passar por isso novamente. É que eu aceitaria quase qualquer coisa para não ter outra crise dessas. Onde assina pra não passar por isso nunca mais? Quando você pensa no ser humano mais desprezível que você conhece e ainda assim acha que ele não merece passar por 10 minutos de desespero absoluto, você sabe do que eu estou falando.

E por que eu to contando tudo isso? Pra lembrar a mim mesma, e a você que também sofre com isso, que PASSA! Na hora é meio difícil de lembrar, mas eu juro que passa. Depois o corpo vai sentir, vai reclamar, mas não se preocupe: PASSA!

E tem outro motivo mais importante. A gente precisa parar de pensar que quem sofre de distúrbios de ansiedade é maluco, tem a vida desestruturada, uma família disfuncional ou sei lá, [insira seu preconceito aqui]. Eu tive um pai sensacional, minha mãe é uma das melhores pessoas que eu conheço, eu tenho o trabalho dos sonhos e amigos que me amam e se preocupam comigo. Sou uma pessoa cercada de amor e, ainda assim, meu cérebro funciona errado de vez em quando.

Um dia, pode ser que seja o seu. Espero do fundo do meu coração que não seja. Mas vale o lembrete, hoje e sempre: SEJA LEGAL COM AS PESSOAS!

4 Comments on Vamos falar (de novo) sobre ansiedade?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *