Eu sempre falo por aqui – e nas redes sociais! – do poder da gratidão. Quanto mais a gente agradece a vida que leva, melhor ela fica. Não só a nossa, mas a de todo mundo a sua volta. Eu já sabia disso, mas foi só quando eu conheci a HQT (agência maravilinda onde eu trabalho) que o ato de agradecer tomou outras proporções. Lá, devolver tudo de bom que a gente recebe para o Universo é “regra”. Se nós amamos tanto o que fazemos, se somos tão felizes assim no trabalho, porque não espalhar amor e felicidade por aí? É aí que entra o assunto deste post e um dos nossos clientes mais queridos: o Projeto RUAS!

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O projeto foi inspirado em uma outra iniciativa parecida: o SAPO (Somos Amigos em Prol do Outro), que atua no Centro do Rio. Marco Dobal, um dos fundadores do RUAS resolveu distribuir alimentos e itens de higiene pessoal pelas ruas do Leblon, Ipanema, Copacabana e Leme. Um mês depois, ele ganhou o reforço do Murillo Sabino, que hoje dedica seu tempo a promover o bem-estar e cidadania (palavrinha que infelizmente anda fora de moda, mas é super importante) da população em situação de rua.

Com a ajuda da sociedade (leia-se eu, você e nossos amigos), os participantes providenciam identidade civil, fornecem artigos de higiene, dão noções básicas de saúde, mas principalmente, fazem com que essas pessoas voltem a se sentir, bem… pessoas de verdade! Com o autoconhecimento e a autoestima que nós todos, com um teto sobre as nossas cabeças, temos!  Mas a melhor pessoa para explicar a lindeza e a profundidade de tudo isso é um dos próprios criadores dessa história toda. Então, com a palavra, Murillo!

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– Como funciona o RUAS? Qualquer um pode participar?

Hoje o papel do RUAS é engajar residentes de bairros para que eles se conectem com a população de rua de sua região. O que fazemos é introduzir núcleos em diferentes bairros através de seus próprios moradores. Essas pessoas, por meio de um processo de capacitação, começam a realizar atividades semanais sempre no mesmo local, dia e horário, mas dessa vez levando temas diferentes que funcionam como fonte de informação e estimula a população em situação de rua. Já levamos aulas de yoga, aulas de pintura, palestras de médicos, palestra de sociólogos sobre a importância da mulher na sociedade, noções de ecologia e etc. Notamos que as pessoas são sedentas por informação, interação e conexões profundas. E naturalmente os residentes dos bairros começam a usar as suas próprias conexões, além das informações do RUAS, para ajudar. Por exemplo, usam o Facebook para encontrar famílias desaparecidas, amigos médicos, amigos com propostas de trabalho, etc.

– O que mais te chamou a atenção quando você começou a lidar com essas pessoas que, no dia a dia das grandes cidades, se tornam quase “invisíveis”?

O que me chamou atenção no início é que todas têm os mesmos sonhos e vontades. Todos sentem medo, todos sentem tesão, todos tem um time, todos tem uma cor favorita, tiveram ou tem desilusão amorosa, tem um flerte, tem necessidades fisiológicas e etc. A minha surpresa é que a minha vida levou a crer que eles eram seres diferentes de mim. O projeto me deu a oportunidade de enxergar que temos muito mais semelhanças que diferenças e que, por isso, conseguimos ter mais empatia e procurar ajuda profunda pras necessidades daqueles que querem ser ajudados.

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– Em 2016, você se empenhou muito para fazer o Projeto RUAS crescer e ajudar ainda mais gente. O que vai rolar em 2017?

Se 2016 foi o ano do plantio, 2017 vai ser o da colheita. Nos esforçamos muito para o RUAS crescer em estrutura interna e ganhar visibilidade. Também aprendemos muito dentro e fora do país com projetos de diferentes portes. Agora em 2017 temos três palavras-chave: captação, expansão e inovação. Começando pela última, inovação é o que corre nas nossas veias. As rondas em si já são uma inovação social. Mas queremos continuar provocando novas soluções a partir de nossos voluntários. Expansão, para levarmos o impacto do que já aprendemos a fazer para outros locais e também expandir projetos que estão prontos para serem implementados como é o caso do “Housing First” (método que é aplicado nos EUA em âmbito federal). Captação pra possibilitar que os dois itens anteriores aconteçam!

– Quem não mora perto dos locais das rondas, ou não pode participar ativamente, ainda pode ajudar o RUAS? De que forma?

Quem não mora perto das rondas pode participar sendo um voluntário digital e compor a Rede do RUAS. Ali, damos desafios semanais de como ajudar a população de rua com ações simples, além de informações sobre as nossas ações, informações sobre os nossos atendidos e voluntários e informações sobre outras iniciativas inovadoras em favor da população em situação de rua! É só acessar https://recorrente.benfeitoria.com/rededoruas e contribuir com valores mensais a partir de R$10 com cartão de crédito e sem taxa de inscrição ou cancelamento. É tipo uma assinatura de jornal, só que fazendo a vida de uma pessoa melhor.

Ou seja, com um pouquinho de boa vontade e empatia, a gente começa a melhorar o mundo ao nosso redor. Vamos todos? 😉

 

 

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