Há algum tempo, eu entrevistei a Keka Paiva, co-criadora da Kapê. Lá em julho de 2017, ela estava no início da sua carreira como empreendedora e estilista. Hoje, ela e a sua mãe, também sócia da marca, continuando na ativa, produzindo vestidos de noiva e de festa como poucas. Este é o primeiro #TBT do blog, e achei mais do que justo começar por elas. Vamos ver?

A ética jornalística exige que eu dê um aviso bem claro logo no início deste post: não teremos imparcialidade por aqui. Isso porque a minha entrevistada de hoje é uma das pessoas mais queridas dessa vida! Eu e Keka Paiva não somos exatamente amigas próximas, mas com a gente rolou aquela “simpatia à primeira vista”, sabe? Em outras palavras, a “energia bateu”. Além disso, temos uma paixão em comum: a moda. Então, quando eu soube que ela estava abrindo um ateliê para criar roupas de festa sob medida, respeitando o shape, o estilo e a personalidade de cada cliente, nem pensei duas vezes. Chamei logo pra esse papo que você lê a seguir!

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VOCÊ É FORMADA EM PUBLICIDADE, CERTO? DE ONDE VEIO SEU AMOR PELA MODA? QUAL É A SUA RELAÇÃO COM ESTE UNIVERSO?

Sim, me formei em Publicidade na PUC-Rio, em 2013, mas meu amor pela moda vem desde muito cedo.  Lembro que quando eu tinha uns 7 anos, pedi a minha avó dinheiro para comprar esmaltes e uma caixa de grampos de cabelo para personalizá-los. Ela morava numa vila e fui batendo de porta em porta vendendo os grampinhos coloridos, cada um com um estilo diferente e pedia R$ 0,25 por cada um!  Então, pra tentar resumir minha paixão por todo esse universo, acho que a principal ideia que a moda me passa é de liberdade de ser e de transmitir alguma coisa, sabe? Nesse caso, através de roupas, de criações com a personalidade de quem vai vestir aquilo. Vejo a moda como uma ferramenta de comunicação, por isso acho que primeiro cursei Comunicação Social e depois fui me especializar no Design de Moda mesmo.

DE ONDE VEIO A IDEIA DE CRIAR ROUPAS SOB MEDIDA? COMO É ESSE PROCESSO CRIATIVO?

just click for source Bom, como disse, acho que a roupa tem que ter o jeitinho de cada um e o “sob medida” possibilita isso. Mais do que uma modelagem feita para o corpo daquela mulher, é também uma ideia desenvolvida exclusivamente para representá-la. Daí surgiu a ideia, junto com a minha mãe, de criar um negócio para atender mulheres que pensem assim e que só precisem de alguém que coloque na prática o que está na cabeça delas.

Na verdade, a ideia central, que desenvolvi no meu projeto final da faculdade de Design de Moda, é justamente quebrar padrões e tradições nos vestidos de noiva e de festa. É seguir sempre buscando o tal do diferencial. E, por isso, nossas criações sempre tendem a seguir um estilo mais livre e contemporâneo. A moda traz muitos padrões estéticos que podem não agradar todo mundo e eu acredito que estejamos, cada vez mais, caminhando para a era do “personalizado”. more info

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Dentro do processo criativo rola esse levantamento do que é o ideal daquela cliente específica. Não gosto da ideia de que as pessoas devem procurar uma modelagem que seja “a correta” para “x” tipo de corpo. Acho que não existe o certo e o errado no estilo “Fashion Police”. As pessoas devem usar aquilo que se sentem bem, que sempre quiseram vestir, essa satisfação é a verdadeira chave pra se sentir maravilhosa e diva do red carpet. Hahaha. Primeiro, a gente pensa junto com a cliente o que ela gosta, fazemos pesquisas de cor e tecido e definimos o modelo em um croqui. Depois partimos para a modelagem plana, onde riscamos no papel, em tamanho real, a base do corpo da cliente e desenvolvemos o modelo que ela escolheu, tudo isso com ferramentas e técnicas específicas. A partir daí, mandamos para a costureira http://southwoodservices.com/?mapca1.

O FEMINISMO É ALGO MUITO PRESENTE NA SUA VIDA. COMO O TEMA SE INSERE NO SEU TRABALHO?

A própria ideia de “liberdade de vestir” para as mulheres já se insere no feminismo. Uma mulher que queira usar um decote profundo não pode deixar de usá-lo porque as pessoas podem achá-la vulgar. Decote não é vulgar, mostrar o corpo não é vulgaridade. O corpo é nosso, a sensualidade não é convite para julgamentos. Uma mulher não tem que esconder o que as pessoas e a indústria da moda estipulam como imperfeições. Valorizamos as mulheres, sempre! E criamos um laço com cada uma que vem falar com a gente, porque compartilhamos um pouco dos nossos ideais e isso sempre enriquece o nosso trabalho visit web page.

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QUEM É O SEU ÍCONE DE ESTILO? QUEM TE INSPIRA NO DIA A DIA?

Eu acho que não tenho um ícone. Admiro o trabalho de muitos artistas e designers, gosto de buscar profissionais que se aproximem dos ideais que carrego comigo. Estilo, pra mim, é uma coisa muito ligada ao humor, ao momento, sabe? Um dia estava no banheiro da minha mãe e vi um vidro de Alfazema,  que a gente encontra em farmácia. No rótulo tem uma mulher no campo, com calça jeans larga, cintura alta, um cinto e uma blusa branca larguinha pra dentro da calça. Amei, fui vestir!

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SE VOCÊ PUDESSE ABOLIR UMA TENDÊNCIA DO MUNDO, QUAL SERIA? TEM ALGUMA QUE VOCÊ ACHA QUE TODAS DEVERIAM ADERIR?

click to see more Eu acho “tendência” uma coisa meio perigosa. No início é muito bacana, mas depois a indústria satura todo mundo com aquela roupa “x”.  O grande problema, na minha opinião, tá aí. As tendências não deixam que você pense e realize “quem você é”, “o que você realmente gosta de vestir”. Te fazem pensar em “preciso comprar aquilo”, “preciso pertencer a esse grupo”. Não acho que isso seja uma verdade absoluta mas tenho minhas reservas com tendências justamente porque elas te impulsionam a sempre querer comprar mais.Aproveitando o gancho, acho que a tendência que todos deveríamos aderir é a de diminuir o ritmo das compras e se preocupar em como aquela roupa chegou até você.

 A moda me passa a ideia de liberdade de ser e de transmitir alguma coisa. https://www.hashatit.com/dumakake

2 Comments on Keka Paiva: moda, feminismo e consumo consciente!

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