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Categoria: Livros

O Milagre da Manhã: seis dicas para mudar sua vida

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Sempre que eu comento com alguém que treino de manhã antes do trabalho, recebo olhares meio espantados e meio de admiração. Como é possível acordar às 6h pra correr? Será um milagre?” Sim, não deixa de ser. Mas o responsável não é nenhum santo, e sim Hal Elrod, autor do best-seller O Milagre da Manhã.

Quem me acompanha há algum tempo já conhece a minha resistência a livros de autoajuda (ou autodesenvolvimento), e como aos poucos eu venho tentando quebra-la.Mas o que me atraiu em O Milagre da Manhã é que sua premissa é bem simples: o que você faz nas primeiras horas do dia influencia diretamente sua produtividade. Já viu CEO de grandes empresas acordando às 11h? Pois é. E ele explica isso através de seis passos simples, que eu mostro agora.

#1 Silêncio

O autor dá algumas sugestões para atividades que podemos praticar no silêncio (orar, agradecer, prestar atenção à própria respiração…), mas eu particularmente escolho a meditação. Neste post, eu te falei um pouco sobre os benefícios da prática e dei sugestões de app. Pra mim funciona muito bem e cinco minutos já me deixam pronta para encarar o dia!

#2 Afirmações

Nosso cérebro é programado para que algumas de nossas escolhas sejam quase intuitivas, certo? Pra isso, temos um arsenal de crenças à nossa disposição. Coisas que aprendemos com nossos pais, com a vida, com alguma experiência traumática. E as crenças podem ser engrandecedoras ou limitantes. A verdade é que todo mundo tem sua quota de limitações que nos impedem de ir além do mediano, em maior ou menos medida. Tirar cinco minutos por dia para fazer afirmações positivas tem um ótimo efeito a longo prazo. Anote as suas em um papel e leia todo dia ao acordar. No início é meio ridículo? Sim! Mas pensa que Will Smith e Oprah Winfrey fazem isso diariamente que rapidinho a vergonha passa.

#3 Exercícios

Ah, chegamos na raiz do problema. Agora você chegou aqui e deve estar pensando “nem ferrando que vou pra academia de manhã”. Olha, não precisa ser exatamente uma academia e nem precisa ser um treino longo. O importante aqui é acordar o corpo e deixa-lo preparado para o resto do dia. Eu corro e vou pra academia, mas se você não curte este ambiente pode dar uma caminhada ou até fazer um treino rápido usando algum aplicativo. Quanto mais tempo melhor, claro, mas 15 minutos já fazem uma super diferença.

#4 Leitura

Leitura é puro hábito. Ler 10 páginas por dia é relativamente simples e, ao final de um mês, você vai ter lido um livro de 300 páginas quase sem perceber. Comece com 5 minutos pela manhã, e veja a diferença que isso faz! Ah, e se quiser dicas de como ler mais e melhor, é só ler este post aqui!

#5 Escrita

Tirar um tempinho para esvaziar a mente colocando as ideias no papel é essencial para começar o dia zerado de verdade. Eu uso estes cinco minutos – juro, é só isso mesmo – para refletir rapidinho sobre o dia de ontem e agradecer. Quando eu sinto que estou sem tempo, anoto no papel três coisas boas que me aconteceram no dia e pronto!

#6 Visualização

Essa é a parte mais gostosa da manhã. Você já deve ter ouvido falar nisso – principalmente se leu O Segredo – e a ideia é bem simples mesmo: parar e visualizar o que vai acontecer quando atingir seus objetivos. Eu me imagino fechando um projeto, comemorando e, dependendo da inspiração do dia, consigo até visualizar a roupa que estou usando. Mas o exercício de visualização não serve só pra sonhos de longo prazo. Se você tem uma reunião ou precisa ter uma conversa séria com alguém, esta também é uma excelente maneira de ganhar mais confiança.

“Tá, já entendi. Mas que horas eu preciso acordar pra fazer isso tudo?” Bom, conversa franca aqui. Eu sei que sou extremamente privilegiada por morar perto do trabalho, e sei que nem todo mundo tem esse tempo de manhã. O importante é tentar encaixar os rituais na sua rotina. Meditar, por exemplo, é algo que depois de um tempo de treino, dá pra fazer até no ônibus ou no metrô. Acredite, faço muito isso. Mas, se você tem tempo e sente que seus dias começam sempre tumultuados, vale deixar a preguiça de lado e ligar o despertador uma horinha mais cedo. Depois você me agradece aqui nos comentários, tá? 😉

Três livros para entender o Brasil

Os últimos dias foram difíceis. O clima nas ruas está pesado, as redes sociais foram invadidas por textões raivosos e até o Natal das famílias anda ameaçado por conta da política. Esse blog aqui não faz apologia às tretas, mas entende que, para ter uma ideia do que está acontecendo no Brasil e no mundo, só tem um jeito: se informar. Estudar, buscar novas fontes, conhecimento de verdade. E por aqui, nada de Fake News. A gente gosta mesmo é de livro. Hoje, aproveitando o Dia Nacional do Livro, indico três que estão na lista dos meus favoritos da vida, e que acho que você deveria ler também! Vamos a eles?

O Tempo e o Vento

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Ficção da melhor qualidade, escrita por Érico Veríssimo. A obra é extensa, mas fluida, o que torna a saga da família Terra Cambará extremamente gostosa de ser lida. O leitor acompanha a fundação de Santa Fé, uma pequena cidade no Rio Grande do Sul, através do ponto de vista de uma de suas famílias mais importantes. A narrativa vai desde a época dos jesuítas até a ditadura militar. É o retrato do Brasil, mais atual do que nunca.

Jango

Jango

Como a Ditadura foi possível? Nós encontramos as bases do golpe em “Jango”, livro que levanta algumas questões acerca da morte do presidente João Goulart. A versão mais conhecida é a morte por infarto, mas há quem diga que o ex-presidente foi assassinado no exílio a mando dos militares. Livro superimportante para entender o contexto da época.

1968 – O Ano que não terminou

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Zuenir Ventura começa sua narrativa pelo Réveillon de 1968, quando o Brasil se preparava para receber um dos anos mais difíceis da ditadura, com a instituição do AI-5. O autor traça um panorama da época, contando os casos mais importantes em ordem cronológica. Um deles é o assassinato do estudante Edson Luís, que abriu os olhos da população para a violência das Forças Armadas. Essencial!

Clicando nos links, você compra direto na Amazon e ainda ajuda esse blog! Vamos colocar a leitura em dia?

Cinco lições que eu aprendi com A Sutil Arte de Ligar o Foda-se

Eu confesso: passei anos sem nem passar perto das prateleiras de autoajuda nas livrarias. Não curtia as fórmulas prontas, os títulos apelativos, achava que não era pra mim. Até que uma capa laranja “super discreta” me chamou atenção. O título mal-criado também. E em pouco tempo, eu não conseguia mais largar A Sutil Arte de Ligar o Foda-se. Com um humor irônico e ácido, o americano Mark Manson vai na contramão dos livros de autodesenvolvimento e prega a força do pensamento negativo. Sim, você leu certo. E faz sentido! Hoje, eu te mostro cinco coisas que aprendi com o livro e porque elas vão mudar a sua vida.

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“O segredo para uma vida melhor não é precisar de mais coisas, e sim se importar com menos, e apenas com o que é verdadeiro, imediato e importante”.

Pense bem, qual foi a última vez que você teve um problema real, não inventado pela sua mente ou suas expectativas? Ao longo das 223 páginas do livro, o autor faz um apelo: pare de se preocupar com o que é irrelevante e passe a dar valor ao que realmente importa. Como? Revendo seus valores, colocando expectativas apenas em cima do que você pode controlar e começando a entender que não há vida perfeita e que a felicidade que vemos nas redes sociais simplesmente não é real.

“Quando o foda-se não está acionado, você passa a viver como se tivesse o direito inalienável de se sentir feliz e confortável o tempo todo”.

E a gente sabe que não é assim, não é verdade? Afinal de contas, sentimentos ruins não só fazem parte da vida, como a tornam mais especial e interessante. Sofrer é biologicamente útil, o sofrimento é um chamado à ação. É para sair de uma situação desconfortável que começamos a nos mexer rumo a uma situação melhor. Mais preocupante do que evitar qualquer tipo de dor é acreditar (como pregam diversos livros por aí) que nada deveria dar errado. É assim que começamos a inconscientemente nos culpar, e abrir espaço para uma série de problemas graves como ansiedade, depressão, e etc. Se você entrou na onda de otimismo alardeada por aí, vale repensar esta ideia.

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“Qual dor você quer na vida? Pelo que você está disposto a lutar?”

A gente gasta muito tempo pensando na vida que deseja, em exercícios de visualização (nada contra, pratico muito!), achando que “basta ser sincero e desejar profundo”, como dizia Raul Seixas. Mas se esquece de que, na vida real, pra atingir um objetivo é preciso encarar todas as suas partes chatas. Parece óbvio, mas quantas vezes você já não desistiu de algo que queria na primeira vez que encarou uma dificuldade? Ou melhor: quantas vezes uma dificuldade te fez perceber que, na verdade, você nem queria tanto aquela coisa? Quer um amor para a vida toda? Aprenda a lidar com as DRs. Quer abrir uma empresa? Acostume-se com a ideia de trabalhar enquanto seus amigos relaxam. Quer correr uma maratona? Acorde cedo para treinar e lide com as dores no corpo. Tudo isso faz parte. E sim, a felicidade vem única e exclusivamente do esforço.

“Culpa é passado, responsabilidade é presente”

O conceito nem é original, apesar de extremamente verdadeiro. Jean Paul Sartre já dizia que “não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você vai fazer com o que fizeram com você”. Em outras palavras, pare de se vitimizar e assuma o controle da sua vida. Se seu chefe é um babaca e te demitiu injustamente, a culpa por você estar desempregado pode até ser dele, mas a responsabilidade de começar de novo é unicamente sua. Analisar a situação, medi-la e valorizá-la como se deve é o que vai definir o seu grau de felicidade dali em diante.

“Não fique aí parado. Faça alguma coisa, as respostas virão no caminho”

Já notou como nós supervalorizamos o planejamento? Não só no trabalho, mas em todas as áreas da nossa vida. Ao conhecer alguém novo, queremos saber tudo sobre ele. Muitas vezes não por um interesse genuíno, mas para tentar adivinhar os rumos daquela história que nem começou ainda. O mesmo acontece com nossos projetos pessoais, engavetados até que o planejamento esteja milimetricamente perfeito. Besteira. Só comece, saia da inércia. A ação não é só uma consequência da motivação, mas também contribui para que ela esteja sempre em alta. Para Manson, “se você está no meio de uma tempestade existencial e nada fez sentido, a resposta é a mesma: faça alguma coisa”.

E você, já leu esse livro? Quer comprar ou dar de presente para um amigo? Clica aqui nesse link da Amazon e ajude este blog sem pagar mais nada por isso! 🙂

O prazer das boas histórias: Tudo que é belo e O Palácio da Memória

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Quando eu penso nas melhores histórias que já ouvi, minha memória vai lá para a infância. A melhor hora do dia era sentar na varanda de casa e escutar os adultos. Depois vieram os “causos” dos amigos no recreio, na praia, no barzinho. Mas foi bem pequena que eu descobri que as histórias reais – com leves traços de ficção – podiam me surpreender e me emocionar. E ultimamente eu pude relembrar essas sensações lendo dois livros publicados pela editora Todavia.

Coincidentemente, os dois têm origem em podcasts muito populares nos Estados Unidos: o The Moth e o The Memory Palace. O primeiro surgiu há 20 anos como uma iniciativa de contação de histórias em bares e boates de Nova York. Já o segundo é dez anos mais jovem, uma criação do jornalista Nate DiMeo, e hoje é um dos grandes sucessos da internet. Eles deram origem, respectivamente, ao livro “Tudo que é belo” e “O Palácio da Memória”, e hoje eu te conto porque você tem que parar tudo o que está fazendo e dar uma chance a eles!

Tudo que é belo, organizado por Catherine Burns

Há alguns anos, o slogan de um programa da Globo dizia que “a vida de cada um de nós daria uma novela”. E se nem todas renderiam uma novela completa, 45 rendem pelo menos um livro excelente! As histórias reunidas em “Tudo que é belo” fazem exatamente o que as narrativas devem fazer: emocionam, provocam empatia, incentivam a reflexão. Preste atenção na do ex-menino soldado Ishmael Beah, que vai jogar paintball com os amigos americanos. Ou na da cabeleireira responsável pelo visual de Ziggy Stardust. A vida muda muito rápido, mas é sempre bom saber que algumas das melhores partes são registradas pelo The Moth.

O Palácio da Memória, Nate DiMeo

Depois de se apaixonar pelas histórias contadas no podcast The Memory Place, Caetano Galindo entrou em contato com o jornalista e pediu para transformá-las em um livro. Para isso, ele escutou diversos episódios e traduziu as narrativas direto do áudio. É assim que conhecemos um escravo que rouba um navio durante a Guerra Civil, a causa da morte de Edgar Allan Poe e até a vida do leão da Metro. O resultado é um texto fluido, coloquial, rápido e delicioso de se ler!

Já leu algum deles? Conta sua experiência aqui nos comentários! Ah, e você já sabe: para comprar (e ajudar) o blog, basta clicar no nome de cada livro!

Moda: cinco livros para entender mais sobre o assunto!

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Quem gosta de moda com certeza já foi julgado alguma vez na vida. “É fútil”, “é superficial”, “não tem nada na cabeça”. Eu, como jornalista, já ouvi muito a frase “porque você não vira uma repórter séria?”. Enfim, os preconceitos são inúmeros, mas a verdade é que a moda – não as roupas, a MODA mesmo – explica muito o mundo em que nós vivemos. E se debruçar sobre esse assunto é menos gostar de se produzir, e mais uma tentativa de entender o comportamento humano, e como nós nos mostramos para o mundo. Parece que eu viajei? Nada! Hoje eu mostro cinco livros imperdíveis de moda que você tem que, pelo menos, saber que existem!

100 anos de moda, Cally Blackman

Livros de fotografia, desses que a gente gosta de deixar na mesa de centro, frequentemente são confundidos com livros com pouca informação. Não é o caso deste. A autora reúne mais de 400 imagens que mudaram a história da moda para explicar movimentos importantes do século 20. Você ter um panorama geral de movimentos, estilos, e claro, estilistas como Coco Chanel, Jeanne Lanvin, Dior, Marc Jacobs e Karl Lagerfeld. Vale cada centavo!

Encontre aqui: 100 Anos de Moda!

A Era Chanel, de Edmonde Charles Roux

Pensei muito antes de colocar este livro na lista, já que ele está esgotado. Publicado pela antiga Cosac & Naify, hoje ele está fora de catálogo, mas vale muitíssimo a pena correr atrás dele em sebos físicos ou virtuais. Trata-se de uma das melhores biografias de Coco Chanel, começando pela sua infância até sua morte. Nada fica de fora e as imagens são absolutamente incríveis. Super necessário para quem quer conhecer uma das grandes mulheres do século 20.

Glamour, da Diana Vreeland

Por falar em grandes mulheres, precisamos citar Diana Vreeland. Nos anos 1980, a famosa editora-chefe da Vogue e da Harper’s Bazaar fez uma seleção das suas imagens preferidas, com comentários sobre cada uma delas. É basicamente uma aula para quem quer entender o poder das imagens e a força que elas têm em uma indústria como a moda. Ah, e o prefácio foi escrito por Marc Jacobs. Também editado pela Cosac Naify, hoje o livro pode ser encomendado na Amazon, mas se prepara porque o preço está bem salgado.

A Moda Imita a Vida, André Carvalhal

Carvalhal é meu pastor e nada me faltará. Quem mora no Rio e conhece a Farm, com certeza conhece o André Carvalhal. Até alguns anos atrás, ele era a cabeça por trás do marketing da grife – uma das mais queridas do Brasil. Neste livro, ele divide com o leitor um pouco dos seus conhecimentos sobre a criação e gestão de marcas. Imperdível para quem quer entender mais sobre o mercado.

Encontre aqui: A Moda Imita a Vida. Como Construir Uma Marca de Moda

A roupa e a moda, James Laver

Não importa o que digam, que livros novos cheguem às livrarias. Para você entender a história da moda, compreender como saímos das peles e chegamos ao top cropped, você precisa ler James Laver! O livro da um panorama geral da história das vestimentas, contando sobre a invenção da agulha até a década de 1970. Em uma palavra? Necessário.

Encontre aqui: A Roupa e A Moda

E você, leu algum que não está nessa lista? Deixa aqui nos comentários! 😉

Porque você TEM QUE LER: Me Chame Pelo seu Nome

Ainda dá tempo de falar sobre Me chame pelo seu nome? Dá, né? Não faz muito tempo que vi o filme e comentei aqui, mas foi só depois que o livro surgiu como a leitura de março no Infinistante que eu me interessei em mergulhar novamente na história de amor de Elio e Oliver.

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Explico. A primeira que eu ouvi falar sobre “Me Chame Pelo Seu Nome” foi no Canal Pandâmonio, com a Táta falando sobre autores não-traduzidos no Brasil. Isso numa era pré-Oscar, pré-tradução da Intrínseca. Na época, André Aciman ainda era um autor obscuro (egípcio, imagine só!) que eu imaginei que nunca fosse ler. Mas no cinema eu me apaixonei pelos personagens e resolvi mergulhar de cabeça na leitura.

Sexo e identidade em Me Chame Pelo Seu Nome

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A essa altura você já deve saber em linhas gerais do que se trata o enredo, certo? Elio e sua família passam o verão em uma villa italiana, sempre recebendo estudantes que vão até lá ouvir os conselhos do pai, professor universitário, e trabalhar em suas pesquisas acadêmicas. Em meados da década de 80, chega Oliver. O americano de 24 anos vai mudar a forma como Elio entende o amor e a si mesmo.

“A si mesmo?” Sim! Para começar, deixe de lado a ideia de que este é um livro “apenas” sobre um romance entre dois homens. Me Chame pelo seu nome fala, entre outras coisas, sobre identidade. Enquanto tenta entender os seus sentimentos, compreender o que é o primeiro amor, e a explosão hormonal que a adolescência traz, Elio vai se conhecendo, testando limites e descobrindo quem é de fato.

Oliver serve mais como um meio para que o jovem explore o amor e a sexualidade. E aqui cabe um aviso: o livro é recheado de sexo. Mas nada de Cinquenta Tons de Cinza. As cenas são extremamente sensíveis, ainda que cruas e realistas.

É impossível não se lembrar das agonias de se apaixonar pela primeira vez, da ansiedade, e do vazio que a ausência do ser amado causa. A culpa, algo que nós heterossexuais não sentimos normalmente, também atormenta Elio. Mas apesar de um relacionamento homoafetivo ser o ponto central deste livro, Aciman não vai levantar bandeiras, não vai fazer literatura panfletária. Pelo contrário! O autor dá ênfase àquilo que os relacionamentos (independente do gênero) tem em comum: o amor, as angústias e as pequenas alegrias.

Vale ler o livro depois de ver o filme?

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Claro! Me Chame pelo seu nome é daquelas histórias em que o desenrolar é mais importante do que os acontecimentos da narrativa. Saber como Elio está encarando as mudanças diariamente é o mais incrível nesta experiência de leitura.

E se você quiser comprar Me Chame Pelo Seu Nome, já sabe! É só clicar no nome do livro, comprar pela Amazon e ajudar esse blog!

Liane Moriarty e o incrível Pequenas Grandes Mentiras

Você com certeza já ouviu falar sobre esse livro, se é que já não leu ou maratonou a série da HBO. Mas, se você ainda não sabe do que se trata, cola nesse post que eu vou te explicar porque você deve parar tudo o que está fazendo e ler Pequenas Grandes Mentiras, da escritora Liane Moriarty. Ah, como sempre você encontra o livro clicando no título do livro e pode comprar ajudando esse bloguinho! 😛

Se você ainda não conhece a autora, calma que ela merece um breve parêntese. Ela não chega a ser exatamente reclusa como Elena Ferrante (falamos bastante dela aqui), mas também não é dessas escritoras que curtem brilhar mais do que sua obra. E entrega de boa o controle dos seus personagens aos produtores que vão adaptá-los para a TV (no caso de “Big Little Lies”, no original) ou cinema (“O Segredo do Meu Marido” deve ganhar uma adaptação em breve). Liane Moriarty já escreveu seis livros, mas só recentemente passou a escrever obras mais “sérias”, que discutem temas importantes como bullying, estupro, violência doméstica, papel da mulher na família, pais de luto, etc.

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A criação de Liane Moriarty

Em “Pequenas Grandes Mentiras”, a autora vai contar a história de três mulheres que vivem em uma pequena cidade da Austrália (a fictícia Pirriwee). Madeline, Celeste e Jane têm filhos no jardim de infância e uma história familiar bem complicada. Madeline foi abandonada pelo primeiro marido com a filha ainda pequena, e apesar de ter casado novamente, não consegue lidar bem com o ex e sua nova mulher. Celeste é rica, bonita, parece ter a vida perfeita, mas está envolvida em um caso de violência doméstica (com todas as dúvidas, incertezas e “culpas” de alguém que passa por uma situação dessas). Mas é através de Jane que a autora vai discutir vários aspectos da imagem feminina. A personagem é mãe solteira e seu filho, Ziggy, é acusado de fazer bullying com uma coleguinha de escola.

Esse é o ponto de partida para o desenrolar da história, que acaba culminando em uma morte bem sombria. (CALMA, não é spoiler. Você tem essa informação nas primeiras páginas, já que o livro é um grande flashback).

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As personagens

Cada capítulo mostra o ponto de vista de uma das personagens principais, como elas lidam umas com as outras e com as outras mães. É um pouco angustiante ver como é possível envelhecer sem amadurecer, como se a gente saísse da escola, mas a escola nunca mais saísse da gente. É como se o mundo criado por Liane Moriarty (e o nosso também, você vai constatar) fosse uma eterna 5ª série B.

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Os anos passam, mas os dramas são os mesmos, geralmente guiados por um ego que cresceu mais do que deveria. São mulheres adultas disputando um lugar na “cadeia alimentar” daquela escola, tentando provar que são melhores do que as outras, fazendo maldades grandes ou pequenas. Em resumo, o livro é sobre como a maldade permeia nossa vida, sem que a gente se dê conta.

Por onde começar?

Se você quer ler a obra de Liane Moriarty e ver a série, meu conselho é óbvio: comece pelo livro. Como há no texto uma variação de ritmo, pode ser que você se sinta desestimulado a continuar se souber a história. Mas vale muito a pena mergulhar nos dois formatos.

A série da HBO é dirigida por Jean-Marc Valley (de “Livre”), tem roteiro de David E. Kelley e elenco excelente. Alexander Skarsgard, Adam Scott, Laura Dern e Zoe Kravitz dão um ar sombrio e elegante aos personagens do romance e os tornam mais “palpáveis” e críveis.

A trilha sonora e o figurino também merecem sua atenção! Mas eu paro por aqui torcendo pra você seguir a minha dica!  😉

Por que ler O Vendido (ou “tô rindo, mas é de nervoso”)

paul_beattyA sensação é familiar. Alguém conta uma piada racista/homofóbica/ machista e você ri, mesmo sabendo que não devia. Você começa a se mexer no ritmo do funk, até que percebe que o MC está mandando você sentar em alguém que você não gostaria. Parece louco, mas ler O Vendido é bem parecido com essas situações desconfortáveis.

É que Eu, o personagem-narrador do livro de Paul Beatty, é o retrato do politicamente incorreto. Negro, nascido na fictícia Dickens, ele foi criado como um experimento de seu pai, um psicólogo-social. Depois de adulto, ele vê sua cidade natal desaparecer, engolida pelo subúrbio vizinho. Para trazê-la de volta ao mapa dos Estados Unidos só há uma solução: reviver a segregação racial. E pra isso, ele vai usar palavras como “crioulo”, ter um escravo “voluntário”, e até criar um ônibus com assentos exclusivos para negros. Parece louco, né? Então, prepare-se para entrar no universo nonsense (e lúcido) do vencedor do Man Booker Prize de 2017. 

O incômodo inicial passa assim que você entende que O Vendido funciona justamente por tirar sarro do grupo certo. Ou seja, dessa galera que faz vista grossa para o racismo e jura de pé junto que “não é racista não, tem até um amigo negro”. Vai dizer que você não tem nenhum conhecido que insiste em atitudes preconceituosas se escondendo atrás do famoso “é mimimi”?

E prepare-se: ao longo das 316 páginas, Paul Beatty não vai ter pena do leitor, nem ser condescendente. As referências à cultura pop são inúmeras e para compreender o texto na totalidade, não se acanhe: recorra ao Google. A experiência de leitura será muito mais rica.

Curtiu? Compre O Vendido aqui na Amazon e ajude esse blog sem pagar nada mais por isso!

E leia aqui dicas para ler mais e melhor em 2018!

Favoritos de outubro: Espinosa, japa delícia, Sarah Oliveira…

Às vezes eu tenho a sensação de que só tem post de Favoritos do Mês nesse blog. Mas é aquela coisa, né? Início de mês, muitas ideias de post, e lá pelo meio do caminho a gente se perde. Hehehehehe… Enfim, bora lá falar de tudo de bom que Outubro trouxe!

Livro: O silêncio da chuva

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Há séculos meu pai e minha madrasta me falaram de Espinosa, detetive carioca criado pelo escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza. E eu vivia adiando a leitura, até resolver descobrir se era bom mesmo. Bom, se você está esperando um Sherlock Holmes ou um Hercule Poirot dos trópicos, esquece. Espinosa não tem arrogância e nem inteligência acima da média (pelo menos nada que tenha saltado aos olhos nesse livro de estreia), pelo contrário. Ele é um cara comum, com uma vida amorosa falida e grande interesse por literatura e filosofia (com esse nome, a gente não podia esperar nada de diferente). Ou seja, muito mais fácil de a gente se identificar, certo? Na primeira aparição, o detetive vai tentar desvendar a morte de um empresário no centro do Rio que, a princípio, parece simples, mas vai ganhando complexidade a medida que pessoas vão desaparecendo. Bônus para os cariocas: reconhecer os cenários por onde os personagens passam é uma delícia à parte!

Ah, e pra comprar, é só clicar no título lá em cima! Você economiza com os preços da Amazon e ainda ajuda o blog! 😉 

Filme: Ele está de volta

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Vivemos tempos sombrios. Em uma época em que políticos de extremamente intolerantes, como Jair Bolsonaro, vão se tornando cada vez mais populares, talvez seja uma boa assistir a este filme. “Ele está de volta” é uma comédia satírica que mostra o que aconteceria se Hitler ressurgisse na Alemanha nos dias de hoje. O que ele diria? O que pensaríamos sobre ele? Baseado no livro de Timus Vermes e dirigido por David Wnendt, o longa arranca risadas logo nas primeiras cenas (observe o Fürher reclamando com um professor de boas-maneiras que ninguém mais o cumprimenta adequadamente), mas não deixa de ser perturbador. Tudo começa quando um repórter freelancer “descobre” Hitler perdido na Alemanha do século XXI e resolve leva-lo para a TV. Lá, ele vira um comediante de sucesso com suas ideias polêmicas (para dizer o mínimo). Enquanto alguns apoiam, outros riem do ridículo. Alguma semelhança com a realidade?

Música: SOS, The Corrs

Quem foi adolescente no final dos anos 1990 deve se lembrar de uma banda irlandesa The Corrs. E, se a memória te falha, essa música vai te ajudar! Dreams tocava na rádio, em trilha de novela, e até a MTV fez um acústico (o melhor até hoje), com os quatro irmãos. Pois bem depois de um hiato gigantesco, a banda de folk voltou com SOS. É a melhor música? Não, tá longe de ser. Mas é um brinde muito justo à minha adolescência e eu to aqui esperando ansiosa os próximos lançamentos!

Ah, se você quer conhecer The Corrs DE VERDADE, escute esse álbum aqui!

Youtube: Canal da Sarah Oliveira

Por falar em adolescência, você com certeza se lembra do Disk MTV, né? A Sarah era presença certa nas tardes de todo adolescente no ínicio dos anos 2000 e até hoje sinto falta dela falando de música. Ou melhor, sentia. Recentemente, descobri o “Canal da Sarah Oliveira” no YouTube. Vale acompanhar a playlist “Minha Canção”, com compactos dos programas da rádio Eldorado, de São Paulo. Por lá, ela fala de artistas como Amy Winehouse, David Bowie, The Smiths, entre outros. Pra conhecer ou relembrar, vale a pena se inscrever!

Restaurante: Gurumê

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Sim, tem restaurante novo nos favoritos desse mês! Nem sempre essa categoria aparece por aqui, por um motivo simples: eu AMO repetir restaurante e, geralmente, costumo repetir até o prato. Então, o quesito novidade fica meio prejudicado. Mas vamos falar do Gurumê! Quem é do Rio já deve conhecer, se não pessoalmente, pelo menos de nome. Se você curte um bom japa e ainda não conhece, recomendo fortemente que você experimente, mesmo deixando por lá alguns golpinhos. Veja bem, o restaurante tem uma pegada moderna e aconchegante, e o cardápio segue a mesma proposta, com releituras de pratos da culinária japonesa. Não saia de lá sem comer: salmão guacamole, atum burrata e, claro, o brownie com cobertura de doce de leite e sorvete. Sem palavras, sério.

Favoritos de setembro: Marcelo Rubens Paiva, Rita, Pandamônio TV…

Sabe quando um livro puxa um vídeo, que puxa uma série, que puxa uma música? Pois é, foi exatamente isso que aconteceu no mês de setembro. Eu comecei a ler um livro e… bom, vamos aos favoritos que vocês vão entender!

Livro: Ainda Estou Aqui

Ainda Estou aqui

O livro conseguiu unir duas das minhas paixões: histórias sobre a ditadura militar e a escrita do Marcelo Rubens Paiva. Depois de contar a história da própria vida em Feliz Ano Velho, o autor resgata a memória do pai, o deputado Rubens Paiva, morto pela ditadura, e também a memória da mãe, que sofre de Alzheimer. Relatos históricos se misturam com relatos muito pessoais e, ao mesmo tempo em que é a história da família Rubens Paiva, é a história de todos os brasileiros que viveram este período. E se você não conhece Eunice Paiva, PRECISA saber mais sobre essa mulher incrível. Esse livro merecia um post completo, só pra ele, mas acho que não saberia colocar em palavras o que eu senti durante a leitura.  Então, fica aqui só a dica singela mesmo.

Você consegue comprar aqui!

Filme: A 13ª emenda

Sabe aquele documentário que trata de um assunto que você já está careca de saber (no caso, o racismo), mas mesmo assim te abre a cabeça? É o caso de “A 13ª emenda”. Para quem não sabe, a 13ª emenda da constituição americana diz que a escravidão foi abolida, desde que o indivíduo não cometa um crime. Problemático, né? O que a diretora Ava Duvernay (falaremos muito mais sobre ela neste blog por motivos de talento!) tenta mostrar é a maneira pela qual o sistema carcerário se transformou em uma nova forma de escravidão, punindo basicamente a população negra. Já imaginou que horrível viver em um país onde o governo acha que os negros são uma verdadeira ameaça a sociedade e por isso devem ficar encarcerados? Conhece algum lugar assim?

O documentário está na Netflix, mas você encontra no YouTube também!

Canal no Youtube: Pandamonio TV

Quando eu disse que uma coisa puxa a outra, que puxa outra, que puxa mais uma, eu não estava mentindo. E o Pandamonio TV foi minha grande inspiração para esse post. É que foi procurando material sobre “Ainda Estou Aqui” que eu caí no canal das meninas (Tati, Nina e agora sem Carol), me apaixonei e comecei a maratonar.  Sim, eu vi todos os vídeos. TO-DOS. Inclusive, o documentário daqui de cima, e a série aqui de baixo foram indicados por elas. As três são historiadoras, apaixonadas por livros, cinema, séries, cultura pop em geral e falam de feminismo com muita propriedade. Espere assuntos sérios, mas com linguagem extretamente leve. Que é a melhor forma de se falar sobre assuntos sérios, se me permitem dizer.

Série: Rita

No meu último post sobre séries, falei sobre Merlí, um professor espanhol pouco ortodoxo, que dá aula na escola do filho, que por acaso é gay. Pois bem, Rita é a “versão” dinamarquesa da série castelhana, e é simplesmente maravilhosa. Da escolha do elenco à música de abertura (mais sobre isso aqui embaixo), ela é cuidadosamente produzida, os personagens bem construídos, os conflitos escolares críveis, enfim, uma produção BEM FEITA de verdade. Mas não vá esperando uma história pesada sobre relacionamentos amorosos, relações entre pais e filhos, ou o sistema de ensino dinamarquês. “Rita” é excelente pra você assistir depois de um dia cansativo, com um balde de pipoca do lado. Ah, preste atenção nos filhos dela: a verdadeira definição de “tanto faz”. 😛

Música: Speak Out Now, Oh Land

Série boa tem música boa na abertura. Isso é um fato. OC, One Tree Hill e Suits não me deixam menti.  Speak Out Now me lembra muito aquelas músicas da década de 1990, com cantoras de voz fina e que grudam na cabeça. (Aliás, só consigo lembrar do Aqua, outra banda dinamarquesa que fez um sucesso enorme por aqui, apesar da voz enjoada da vocalista.) Enfim, voltando a Oh Land, ela me parece um scrapbook, sabe? Uma mistura ambulante da voz das meninas de M2M, com o ar blasé da Lorde, o estranhamento da Björk e o estilo divertido da Kate Perry. Só escutando pra saber. Mas ó, se serve de referência, a Rihanna já ouviu e curtiu! 😉