gratidao

Eu não sou dessas pessoas que usa “gratidão” no lugar de “obrigada” (e ainda não consegui me acostumar com quem faz isso), mas é uma das coisas que eu tento praticar diariamente. Parece papo de “abraçador de árvore”, né? Mas hoje o papo é sério, e tem respaldo científico.

Já ficou provado que quando a gente reclama, nosso organismo é quem sai prejudicado. Reclamar, ouvir alguém reclamando ou ver notícias ruins o tempo todo (alô, mídias sociais), prejudica o funcionamento dos neurônios no hipocampo, prejudica a cognição (sua capacidade de entender as coisas) e a memória. Agradecer, por outro lado…

Ok, se eu disser pra alguém que está passando por uma fase realmente difícil para parar, olhar o entorno e simplesmente exercitar a gratidão, ele vai me mandar para um lugar bem feio. Justo. Mas depois de três semanas bem bizarras, com crises de ansiedade constantes e um diagnóstico de depressão, terapia intensiva e medicamentos, eu peço que você acredite em mim. Me fez um bem danado voltar ao antigo hábito de agradecer.

Por quê? Porque os remédios organizam o cérebro, acalmam os hormônios e fazem o corpo funcionar como deve, mas só a terapia e os seus próprios pensamentos podem te tirar daquele buraco escuro. É aí que entra a gratidão.

Qualquer pessoa. Repito: QUALQUER pessoa no mundo tem algo a agradecer. Os americanos tem o Thanksgiving, ou o Dia de Ação de Graças. Aqui no Brasil, somos mais acostumados a pedir do que agradecer, vocês não sentem isso? Pois façamos um teste: troque a reclamação do dia a dia por um “obrigada”. E vale ser grato por qualquer coisa: pais, amigos, casa, trabalho. Dos motivos mais importantes aos mais fúteis. Acredite, eu já me peguei agradecendo a nova temporada de Suits, veja só.

Agradeça pela vida, por mais que ela não esteja exatamente como você sonhou. “Estar vivo já é a maior sorte”, e blá, blá, blá. Mas depois de tudo o que vimos em 2016, não é que é mesmo? “Ah, mas de nada vale sem amor”. Ok, concordo. Mas quem disse que amor é o que a gente vê em novela da Globo e filme de Hollywood? A gente passa a vida na frente de uma tela invejando as amigas com os namorados no Instagram – é ok, todo mundo já fez isso uma vez na vida – ou vendo filme na Netflix. Resultado: a gente fica achando que se não tivermos um amor tipo Jack e Rose, Ross e Rachel, Noah e Allie, nossa vida não faz sentido. Mas não é porque a gente não tem um amor de filme americano, que a gente não tem AMOR. 

Acorde de manhã agradecendo por mais um dia. Pela sua família. Pelo seu trabalho. Pelos seus amigos – agradeça DEMAIS pelos seus amigos. No início você vai se sentir meio pateta, eu sei, falando coisas que não ainda não sabe se sente sozinha, parece que repetindo frase de livro de auto-ajuda. Mas depois você se acostuma a olhar em volta e a reconhecer as pequenas alegrias: um chocolate na mesa do trabalho num dia difícil, aquele convite pra aquela viagem de fim de semana, um áudio no whatsapp, uma carona até o médico, um convite pra almoçar e conversar. 

O “amor da sua vida” pode ser uma ilusão – ou não, não sabemos ainda. Mas agradecer o que se tem é uma forma de deixá-lo entrar – seja lá de que forma for – e, principalmente, deixar a vida mais leve.

E quer saber? Em época de crise financeira, pelo menos agradecer é de graça!