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Etiqueta: literatura

Leia Mulheres: cinco livros para entrar na sua biblioteca

Uma olhada rápida nas livrarias já comprova: os homens são a esmagadora maioria entre os livros publicados. Não que as mulheres não produzam textos interessantes e de qualidade, mas ainda somos preteridas pelas editoras. Projetos como o Leia Mulheres vêm tentando diminuir esse gap entre nós, consumidoras, as escritoras. E apesar de eu ser uma leitora quase compulsiva, confesso que ainda não consegui balancear esses números na minha lista de leituras. Como ando lendo mulheres muito especiais, decidi dividir com vocês!

Autobiografia, Rita Lee

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Eu cresci achando que “Ovelha Negra” tinha sido escrita pra mim, e lamentando não ter olhos claros e cabelos ruivos. Nunca fui fã de ninguém, mas a Rita Lee tem algo que mexe comigo desde criancinha. Quando consegui ler a sua autobiografia, não me decepcionei. Ela é realmente aquela figura espetacular que fez parte dos Mutantes e depois seguiu em carreira solo “lacrando” em todos os álbuns. Ao escrever, ela dá a impressão de não poupar nada – nem a maneira bizarra com que perdeu a virgindade, nem a treta com Arnaldo Batista, nem o uso abusivo de álcool e drogas. O melhor de tudo? A linguagem divertida com que Rita escreve faz parecer que não estamos lendo, mas apenas ouvindo uma conversa na mesa do bar. Uma delícia!

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Sejamos todos feministas, Chimamanda Adiche

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Leitura obrigatória no projeto Leia Mulheres, Chimamanda Adichie vai de romances (como Hibisco Roxo e Americanah) a discursos com facilidade. Um dos mais importantes é o Sejamos Todos Feministas, texto que ganhou uma versão editada pela Companhia das Letras. Em 24 páginas, a autora lembra a primeira vez que foi chamada de feminista e o efeito disso em sua formação como pessoa, escritora e mulher. Apresentado no TED, o discurso pode ser visto aqui. Mas acredite, vale a pena ter a versão escrita e quem sabe, dar de presente para as amigas!

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Má Feminista, Roxane Gay

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E por falar em feminismo, como fazer para não confundir o movimento – tão importante e necessário – com o radicalismo de quem acaba não nos representando? A americana-haitiana Roxane Gay tem a resposta: para ela, vale ser uma “má feminista” do que não ser feminista de forma alguma. Ela tenta conciliar a militância com o fato de amar ler a Vogue e dirigir ouvindo “Blurred Lines”, enquanto fala com muito bom humor sobre a condição feminina nos dias de hoje. Importante para entender como o machismo está tão inserido na cultura pop que, por vezes, nem nos damos conta dele. Imperdível!

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Casa dos Espíritos, Isabel Allende

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Neste Leia Mulheres não poderia faltar Isabel Allende. Numa época em que falar de direito das mulheres era motivo de riso, a família Trueba se mantinha unida graças às suas três mulheres: Clara, Blanca e Alba. Casa dos Espíritos passa pelos primeiros anos do século XX e vai até a ditadura de Pinochet, que tirou Salvador Allende do poder em 1973. Clara, a matriarca, tem o dom da clarividência e é responsável pela aura mágica da narrativa, misturando assuntos como socialismo e ditadura com a sensibilidade feminina e mesas que dançavam. Vale também ver o filme, com Meryl Streep, Winona Ryder e Vanessa Redgrave!

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Histórias de ninar para garotas rebeldes

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Nada de contos de fada onde a princesa só pode ser feliz se encontrar o príncipe. Agora, é a vez das garotas “rebeldes”. Rebeldes como Nina Simone, Jane Austen, Coco Chanel e Frida Kahlo, que passaram longe dos padrões pré-estabelecidos e hoje são personagens deste livro fofíssimo publicado pela VR Editora. A cada página, uma pequena biografia de cada uma e uma ilustração que valeria um quadro. Vale dar de presente para a filha, sobrinha, irmã mais nova, para a afilhada, ou até pra você mesmo.

Compre aqui: Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes

Dia do Jornalista: os melhores livros do jornalismo literário

Vivemos tempos difíceis para os jornalistas. Na era da pós-verdade, onde opiniões viram fatos e fatos viram opiniões, contar uma história não é só criar uma narrativa. É também registrar acontecimentos e permitir que as próximas gerações tenham memória. Tudo isso numa época em que as pessoas parecem decididas a transformar suas lembranças em verdades absolutas. Esta é, aliás, a primeira lição que recebemos na faculdade de jornalismo: a verdade tem diversos lados, e nós devemos nos dedicar a contemplar todos eles nos conteúdos que produzimos.

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Na lista abaixo, minha pequena homenagem ao Dia do Jornalista, reuni alguns títulos do meu gênero preferido: o jornalismo literário. Todos os autores citados são mestres em mergulhar nas histórias alheias para criar a sua própria. Recomendo fortemente a leitura e, claro, a reflexão!

A Sangue Frio, de Truman Capote

A Sangue Frio é considerado por muitos teóricos um dos livros fundadores do jornalismo literário. Ele relata o assassinato brutal de uma família inteira numa pequena cidade do Kansas, em 1959. Capote leu sobre o caso em uma matéria do New York Times e, menos de um mês depois chegou a Holcomb para acompanhar as investigações. Além de entrevistar os moradores, o escritor também entrou em contato com os assassinos Dick Hickock e Perry Smith, e acabou tendo uma relação intensa com um deles. Publicado em 1966, no mesmo ano em que os criminosos foram executados, o livro se tornou um best-seller e rendeu (ainda mais) fama a Truman Capote, que já era conhecido por Bonequinha de Luxo. Se você tiver que escolher apenas um livro desta lista, escolha este.

Fama e Anonimato, de Gay Talese

Imagine receber a missão de escrever um perfil sobre um cantor famoso, mas ser impedido de conhecê-lo pessoalmente. Gay Talese deveria se encontrar Frank Sinatra, mas o cantor estava gripado e não poderia dar entrevistas. O repórter acabou escrevendo o que se tornou uma referência para jovens jornalistas. Este e outros textos estão reunidos em Fama e Anonimato, que trata de personagens pitorescos de Nova York, como o mergulhador que ganhava a vida buscando pertences perdidos na baía. Uma verdadeira aula de jornalismo.

Hiroshima, de John Hershey

Um dos episódios mais terríveis do século XX ganhou uma abordagem mais humana no livro de John Hershey. Na primeira parte, a reportagem clássica traz relatos de seis sobreviventes da bomba atômica. Na segunda, escrita 40 anos depois, John reencontra os personagens para entender como a tragédia continua afetando suas vidas. Graças ao livro, o mundo pode entender com clareza um dos episódios mais marcantes da Segunda Guerra Mundial. Jornalismo em sua melhor forma!

Todo dia a mesma noite, de Daniela Arbex

Mesmo tendo acompanhado o noticiário na época do incêndio da boate Kiss, ler sobre isso é um soco no estômago. Daniela conta com detalhes o resgate, o trabalho de salvamento dos feridos, a identificação dos corpos, a dor das famílias e de Santa Maria. A beleza do livro está na escolha dos depoimentos, que dão a exata dimensão do que aconteceu na cidade. Mas principalmente, do que é preciso fazer para que isso não se repita nunca mais.

Missoula, Jon Krakauer

Jon Krakauer ficou conhecido por “Na Natureza Selvagem” e “No Ar Rarefeito”, mas Missoula também merece ser lido. Aqui, ele conta como a cidade em Montana se tornou a “capital do estupro” e disseca a relação passional dos moradores com os atletas do Grizzly, time de futebol americano. Jon conversa com mulheres, policiais, advogados, promotores, professores e toda a rede que cuida – ou deveria cuidar – das vítimas de estupro. É sobre Missoula, mas também é sobre os Estados Unidos, o Brasil e todos os lugares onde a violência sexual não é devidamente combatida.

O Dono do Morro, Misha Glenny

O Nem, ex-traficante da Rocinha, é uma figura lendária entre os cariocas. Não só porque foi um dos maiores chefões do tráfico de drogas na cidade, mas também pela sua história peculiar. Nem entrou para o crime depois que sua primeira filha foi diagnosticada com uma doença rara e ele precisou pedir dinheiro emprestado para o único “banco” da favela: o tráfico. Partindo deste ponto, o jornalista britânico Misha Glenny, passeia pela vida de Nem da infância até sua prisão em 2011. Com fluidez e ritmo cinematográfico, o livro é extremamente importante para compreender o cenário do crime no Rio de Janeiro.

Seu preferido ficou fora desta lista? Compartilha a dica aqui nos comentários!

Crônicas: quatro livros para ler e se apaixonar pelo gênero

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Crônica: no dicionário, substantivo feminino. “Gênero literário que consiste na apreciação pessoal dos fatos da vida cotidiana”. Pra mim, o gênero mais brasileiro que há. Porque o nosso senso de humor combina perfeitamente com textos curtos e, geralmente, repletos de ironia. E isso não vem de hoje, não. Apesar de termos cronistas excelentes nos maiores jornais do país, a crônica é coisa antiga. Vem lá de Machado de Assis e Lima Barreto. Nosso elenco de cronistas sensacionais só cresce e agora eu divido com vocês alguns dos meus livros favoritos!

As Cem Melhores Crônicas Brasileiras do Século XX

Organizada pelo jornalista (e também cronista) Joaquim Ferreira dos Santos, a antologia traz os textos em ordem cronológica, começando em 1850 e terminando nos anos 2000. Excelente para quem quer acompanhar a “evolução” do gênero, lendo autores como Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, etc.

Se você gostou deste, não deixe de ler: Elenco de Cronistas Modernos

Trinta e Oito e Meio, de Maria Ribeiro

Maria Ribeiro é atriz, jornalista, documentarista, apresentadora e… ufa, cronista! Depois de anos escrevendo para a revista TPM, ela lançou este primeiro livro, com textos curtos sobre diversos assuntos. Aqui, ela fala de relações humanas, maternidade, seus sonhos, desejos e fraquezas. Se você procura se conectar com um autor, sugiro fortemente este livro.

Se você gostou deste, não deixe de ler: Tudo o que eu sempre quis dizer, mas só consegui escrevendo

Trinta e Poucos, de Antonio Prata

Quem já passou dos 30 deve se lembrar das crônicas escritas na última página da revista Capricho. Pois é, durante um bom tempo elas eram assinadas pelo Antonio Prata. Em “Trinta e Poucos”, elementos triviais como um par de meias e uma semente de mexerica servem como ponto de partida para textos deliciosos de ler.

Se você gostou deste, não deixe de ler: Nu, de Botas

Caviar é uma ova, de Gregório Duvivier

Assim como a Maria Ribeiro, o Gregório é polivalente. Ator, co-criador do Porta dos Fundos, poeta, apresentador de tv e cronista, ele escreve textos bem-humorados e, em sua maioria, irônicos. Em “Caviar é uma ova” ele brinca com a expressão “esquerda caviar” que se popularizou nessa nossa época de Fla x Flu político. São crônicas curtinhas, mas que colocam o dedo naquele ponto incômodo da vida cotidiana. Vale a leitura!

Se você gostou deste, não deixe de ler: Put Some Farofa

Já leu algum desses? Conta aqui nos comentários!

YouTube: quatro canais literários que você precisa conhecer

Quem acompanha este blog ou me segue nas redes sociais sabe que ler é um dos meus maiores prazeres nesta vida. É o meu momento, a atividade que acalma minha alma e que eu faria o dia inteiro se não houvesse boleto neste mundo. Pensando nisso, entrei na missão de te fazer ler mais (e melhor) este ano. Então, vocês verão posts como este com mais frequência por aqui! E o YouTube não poderia ficar de fora disso. É ali que eu me informo sobre os lançamentos ou dou uma chance para os clássicos. Hoje, selecionei cinco canais que vão abrir seus horizontes literários. Vamos?

Tiny Little Things

Velha conhecida no chamado “booktube”, Tati pode não ser uma novidade para quem acompanha este universo, mas não dava pra montar essa lista e não falar dela. Esse ano, seu canal completou 12 anos e hoje serve de referência para muita gente. Entre resenhas, tags e desafios, Tati faz um mix diversificado entre clássicos, histórias de terror, autores consagrados e iniciantes.

O que você não pode deixar de ver: a playlist Mês do Horror.

Livrada

Se existe um estereotipo no booktuber, o Yuri Al’ Hanati foge totalmente dele. O humor é ácido, as escolhas literárias dificilmente estão presentes na sessão de best-sellers e as opiniões são expostas sem medo de desagradar. Como deveria ser, não é mesmo? Entre os preferidos do Yuri estão autores russos, clássicos e livros de filosofia. Mas o mais bacana do canal acontece anualmente: o Desafio Livrada. Nele, Yuri seleciona 14 categorias diferentes e propõe que os espectadores leiam títulos que se enquadrem na brincadeira. Um livro é sempre “obrigatório”, mas nunca óbvio. Excelente pedida para quem quer sair da zona de conforto!

O que você não pode deixar de ver: os livros sobre o Desafio Livrada.

Ler Antes de Morrer

A Isabella Lubrano tem a vida que eu gostaria de ter. Depois de se formar em Direito e Jornalismo, ela conseguiu se dedicar totalmente aos livros e ao seu canal Ler Antes de Morrer. Por lá, ela se propõe a chegar ao número audacioso de 1001 resenhas literárias, mesclando clássicos, contemporâneos, livros de não-ficção, entre outros. Mas o canal vai além do gosto eclético da apresentadora. Como boa jornalista, ela está sempre atenta ao contexto. E não importa se ela está falando de Machado de Assis ou de Elena Ferrante (falei sobre ela aqui!): todo vídeo tem um ótimo gancho que vai fisgar a sua atenção.

O que você não pode deixar de ver: a playlist atualizada da Bookshelf Tour! Nada melhor do que dar uma espiadinha na estante alheia, né?

Bookster

Pedro Pacífico acabou de chegar no Youtube e já coleciona mais de 5 mil inscritos no seu canal. Muito do sucesso se deve ao seu perfil no Instagram, que é um verdadeiro fenômeno. Pedro é advogado de formação, e dá dicas para quem quer fazer da leitura um hábito, mesclando resenhas de clássicos e autores contemporâneos. O diferencial são os vídeos curtinhos, quase uma pílula de informação.

O que você não pode deixar de ver: dicas de como ler mais!

E você? Tem algum canal preferido que não está aqui? Conta pra gente!

Cinco dicas para ler mais (e melhor)

Eu sempre falo de livros no blog, mas só recentemente me dei conta que não falo sobre o hábito em si. E se, para você, ler não é um vício como é para mim, pode ser que você se sinta perdido em meio a tantas sugestões. Foi por isso que hoje eu parei tudo e vim aqui dar dicas de como ler mais (e melhor) esse ano. Pode ser que você se encante, pode ser que você comece um e nem termine. Mas se você ler um livrinho que seja seguindo estas dicas, o tempo que eu gastei escrevendo esse post já vai ter valido a pena! J

#1 – Ande com um livro para cima e para baixo

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As pessoas sempre me perguntam como eu arrumo tempo para ler tanto. A resposta é simplesmente essa: sempre carregue um livro ou kindle com você. Metrô? Leia. Fila de supermercado? Leia. Praia? Melhor lugar! Leia. Aos poucos você vai criando o hábito e a leitura vai preenchendo essas horas meio mortas, em que você pegaria o celular.

#2 – Por falar em celular… Off!

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O seu deve ter uma coisa maravilhosa chamada “modo avião”. Quando você ativa esse botãozinho, o mundo se torna uma coisa mágica, onde ninguém pode te perturbar virtualmente. Use esse recurso para ler, nem que seja apenas por 30 minutos. É libertador!

#3 – Use o YouTube

Depois que passei a seguir canais de literatura no YouTube, viciei REAL e nunca mais fiquei sem saber o que ler. A graça é seguir pessoas diferentes, para expandir os horizontes. Nos posts de favoritos e de dicas de canais, vocês encontram várias sugestões, mas vale a pena repetir. Tati Feltrin, Pandâmonio TV, Livrada, Carol Miranda, Ler Antes de Morrer e Clarissa Wolff são meus favoritos!

#4 – Experimente coisas novas

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Às vezes a gente se apaixona por um autor ou um gênero e queremos zerar todos os livros, de preferência de uma vez só. Mas sempre dá pra você sair um pouquinho da zona de conforto enquanto leitor. Seja lendo um autor de quem nunca ouviu falar, tomando coragem para ler aquele clássico de 900 páginas ou simplesmente experimentando um livro mais teórico. Uma coisa bacana que sempre rola em diversos canais são os desafios. O Livrada acabou de lançar o seu e você pode acompanhar!

#5 – Faça da livraria sua rotina

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Mesmo com a crise das livrarias, o Rio continua cheio de boas opções, tanto de livrarias quanto de sebos. A minha preferida é a da Livraria da Travessa (falei sobre ela aqui) e o sebo Baratos da Ribeiro, ambos em Botafogo. A ideia é ir, dar uma olhada nas mesas que ficam logo na entrada com as novidades, e explorar as estantes mais escondidas. Certeza de que você vai encontrar algo bacana pra levar pra casa!

E aí? O que está na sua lista de leitura?

Leitura de verão: quatro livros incríveis para ler na praia

Ah, o verão! Apesar de estar cozinhando e tomando quatro banhos por dia, essa ainda é minha estação favorita. Principalmente porque é a época ideal para fazer uma das coisas que eu mais gosto: ler na praia. Um mate geladinho, um bom livro e… preciso de mais nada! Hoje selecionei quatro que me fizeram ótima companhia em 2018! Pra comprar qualquer livro na Amazon (e ajudar esse bloguinho) é só clicar no título.

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As Garotas

A história não é leve. Uma jovem adolescente se envolve com uma seita hippie na década de 1970 e, aos poucos, se vê envolvida em uma trama macabra de roubos e assassinatos. Soa familiar? Sim, o livro de Emma Cline é um “roman à clef” que reconstrói de maneira ficcional a história de Charles Manson e seus seguidores. Pode soar sinistro para uma leitura na praia, mas a verdade é que a leitura desenrola fácil e você logo se vê envolvida com os personagens. Vale muito a leitura, principalmente na era de denúncias contra gurus famosos como João de Deus, Sri Prem Baba e Osho.

O Que Alice Esqueceu

Quem acompanha este blog sabe que eu sou bem apaixonada pela escrita da Liane Moriarty (já falei dela aqui). Então, quando a Intrínseca lançou um dos primeiros romances da autora, eu corri para ler. A protagonista não chega a ser exatamente cativante, mas o enredo te coloca para pensar. Depois de um tombo na academia, Alice acorda pensando no marido, na sua gravidez e na reforma de sua casa. Acontece que ela já tem três filhos, está se divorciando, e perdeu 10 anos de memórias. O leitor acompanha de forma bem humorada as trapalhadas de Alice enquanto ela tenta resgatar suas lembranças. E você, do que se lembraria se perdesse uma década de vida?

Cem Anos de Solidão

“Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía se lembraria da tarde remota em que seu pai o levara para conhecer o gelo”. É esta frase que abre Cem Anos de Solidão, a obra mais famosa de Gabriel García Márquez. E não é à toa. Ao contar a história da família Buendía, o autor faz um passeio pelo realismo fantástico e encanta o leitor. Uma narrativa com personagens femininas incríveis que você não pode deixar de conhecer!

A Elegância do Ouriço

Se você gosta de personagens irônicos, cativantes e bem-humorados, este livro é para você. A história se passa em um prédio da elite de Paris, e é narrada pela concierge e por uma jovem moradora com com fortes tendências suicidas. Apesar da diferença de idade e de classe social, as duas têm em comum a inteligência acima da média, e principalmente, a surpreendente erudição. Ambas não desejam revelar sua personalidade para os outros moradores, e com isso, acabam se conectando de maneiras inusitadas. Divertido e melancólico na medida certa, A Elegância do Ouriço merece ser degustado aos poucos!

Curtiu as indicações? Que livro não poderia faltar na sua lista?

O prazer das boas histórias: Tudo que é belo e O Palácio da Memória

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Quando eu penso nas melhores histórias que já ouvi, minha memória vai lá para a infância. A melhor hora do dia era sentar na varanda de casa e escutar os adultos. Depois vieram os “causos” dos amigos no recreio, na praia, no barzinho. Mas foi bem pequena que eu descobri que as histórias reais – com leves traços de ficção – podiam me surpreender e me emocionar. E ultimamente eu pude relembrar essas sensações lendo dois livros publicados pela editora Todavia.

Coincidentemente, os dois têm origem em podcasts muito populares nos Estados Unidos: o The Moth e o The Memory Palace. O primeiro surgiu há 20 anos como uma iniciativa de contação de histórias em bares e boates de Nova York. Já o segundo é dez anos mais jovem, uma criação do jornalista Nate DiMeo, e hoje é um dos grandes sucessos da internet. Eles deram origem, respectivamente, ao livro “Tudo que é belo” e “O Palácio da Memória”, e hoje eu te conto porque você tem que parar tudo o que está fazendo e dar uma chance a eles!

Tudo que é belo, organizado por Catherine Burns

Há alguns anos, o slogan de um programa da Globo dizia que “a vida de cada um de nós daria uma novela”. E se nem todas renderiam uma novela completa, 45 rendem pelo menos um livro excelente! As histórias reunidas em “Tudo que é belo” fazem exatamente o que as narrativas devem fazer: emocionam, provocam empatia, incentivam a reflexão. Preste atenção na do ex-menino soldado Ishmael Beah, que vai jogar paintball com os amigos americanos. Ou na da cabeleireira responsável pelo visual de Ziggy Stardust. A vida muda muito rápido, mas é sempre bom saber que algumas das melhores partes são registradas pelo The Moth.

O Palácio da Memória, Nate DiMeo

Depois de se apaixonar pelas histórias contadas no podcast The Memory Place, Caetano Galindo entrou em contato com o jornalista e pediu para transformá-las em um livro. Para isso, ele escutou diversos episódios e traduziu as narrativas direto do áudio. É assim que conhecemos um escravo que rouba um navio durante a Guerra Civil, a causa da morte de Edgar Allan Poe e até a vida do leão da Metro. O resultado é um texto fluido, coloquial, rápido e delicioso de se ler!

Já leu algum deles? Conta sua experiência aqui nos comentários! Ah, e você já sabe: para comprar (e ajudar) o blog, basta clicar no nome de cada livro!

Porque você TEM QUE LER: Me Chame Pelo seu Nome

Ainda dá tempo de falar sobre Me chame pelo seu nome? Dá, né? Não faz muito tempo que vi o filme e comentei aqui, mas foi só depois que o livro surgiu como a leitura de março no Infinistante que eu me interessei em mergulhar novamente na história de amor de Elio e Oliver.

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Explico. A primeira que eu ouvi falar sobre “Me Chame Pelo Seu Nome” foi no Canal Pandâmonio, com a Táta falando sobre autores não-traduzidos no Brasil. Isso numa era pré-Oscar, pré-tradução da Intrínseca. Na época, André Aciman ainda era um autor obscuro (egípcio, imagine só!) que eu imaginei que nunca fosse ler. Mas no cinema eu me apaixonei pelos personagens e resolvi mergulhar de cabeça na leitura.

Sexo e identidade em Me Chame Pelo Seu Nome

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A essa altura você já deve saber em linhas gerais do que se trata o enredo, certo? Elio e sua família passam o verão em uma villa italiana, sempre recebendo estudantes que vão até lá ouvir os conselhos do pai, professor universitário, e trabalhar em suas pesquisas acadêmicas. Em meados da década de 80, chega Oliver. O americano de 24 anos vai mudar a forma como Elio entende o amor e a si mesmo.

“A si mesmo?” Sim! Para começar, deixe de lado a ideia de que este é um livro “apenas” sobre um romance entre dois homens. Me Chame pelo seu nome fala, entre outras coisas, sobre identidade. Enquanto tenta entender os seus sentimentos, compreender o que é o primeiro amor, e a explosão hormonal que a adolescência traz, Elio vai se conhecendo, testando limites e descobrindo quem é de fato.

Oliver serve mais como um meio para que o jovem explore o amor e a sexualidade. E aqui cabe um aviso: o livro é recheado de sexo. Mas nada de Cinquenta Tons de Cinza. As cenas são extremamente sensíveis, ainda que cruas e realistas.

É impossível não se lembrar das agonias de se apaixonar pela primeira vez, da ansiedade, e do vazio que a ausência do ser amado causa. A culpa, algo que nós heterossexuais não sentimos normalmente, também atormenta Elio. Mas apesar de um relacionamento homoafetivo ser o ponto central deste livro, Aciman não vai levantar bandeiras, não vai fazer literatura panfletária. Pelo contrário! O autor dá ênfase àquilo que os relacionamentos (independente do gênero) tem em comum: o amor, as angústias e as pequenas alegrias.

Vale ler o livro depois de ver o filme?

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Claro! Me Chame pelo seu nome é daquelas histórias em que o desenrolar é mais importante do que os acontecimentos da narrativa. Saber como Elio está encarando as mudanças diariamente é o mais incrível nesta experiência de leitura.

E se você quiser comprar Me Chame Pelo Seu Nome, já sabe! É só clicar no nome do livro, comprar pela Amazon e ajudar esse blog!

Liane Moriarty e o incrível Pequenas Grandes Mentiras

Você com certeza já ouviu falar sobre esse livro, se é que já não leu ou maratonou a série da HBO. Mas, se você ainda não sabe do que se trata, cola nesse post que eu vou te explicar porque você deve parar tudo o que está fazendo e ler Pequenas Grandes Mentiras, da escritora Liane Moriarty. Ah, como sempre você encontra o livro clicando no título do livro e pode comprar ajudando esse bloguinho! 😛

Se você ainda não conhece a autora, calma que ela merece um breve parêntese. Ela não chega a ser exatamente reclusa como Elena Ferrante (falamos bastante dela aqui), mas também não é dessas escritoras que curtem brilhar mais do que sua obra. E entrega de boa o controle dos seus personagens aos produtores que vão adaptá-los para a TV (no caso de “Big Little Lies”, no original) ou cinema (“O Segredo do Meu Marido” deve ganhar uma adaptação em breve). Liane Moriarty já escreveu seis livros, mas só recentemente passou a escrever obras mais “sérias”, que discutem temas importantes como bullying, estupro, violência doméstica, papel da mulher na família, pais de luto, etc.

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A criação de Liane Moriarty

Em “Pequenas Grandes Mentiras”, a autora vai contar a história de três mulheres que vivem em uma pequena cidade da Austrália (a fictícia Pirriwee). Madeline, Celeste e Jane têm filhos no jardim de infância e uma história familiar bem complicada. Madeline foi abandonada pelo primeiro marido com a filha ainda pequena, e apesar de ter casado novamente, não consegue lidar bem com o ex e sua nova mulher. Celeste é rica, bonita, parece ter a vida perfeita, mas está envolvida em um caso de violência doméstica (com todas as dúvidas, incertezas e “culpas” de alguém que passa por uma situação dessas). Mas é através de Jane que a autora vai discutir vários aspectos da imagem feminina. A personagem é mãe solteira e seu filho, Ziggy, é acusado de fazer bullying com uma coleguinha de escola.

Esse é o ponto de partida para o desenrolar da história, que acaba culminando em uma morte bem sombria. (CALMA, não é spoiler. Você tem essa informação nas primeiras páginas, já que o livro é um grande flashback).

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As personagens

Cada capítulo mostra o ponto de vista de uma das personagens principais, como elas lidam umas com as outras e com as outras mães. É um pouco angustiante ver como é possível envelhecer sem amadurecer, como se a gente saísse da escola, mas a escola nunca mais saísse da gente. É como se o mundo criado por Liane Moriarty (e o nosso também, você vai constatar) fosse uma eterna 5ª série B.

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Os anos passam, mas os dramas são os mesmos, geralmente guiados por um ego que cresceu mais do que deveria. São mulheres adultas disputando um lugar na “cadeia alimentar” daquela escola, tentando provar que são melhores do que as outras, fazendo maldades grandes ou pequenas. Em resumo, o livro é sobre como a maldade permeia nossa vida, sem que a gente se dê conta.

Por onde começar?

Se você quer ler a obra de Liane Moriarty e ver a série, meu conselho é óbvio: comece pelo livro. Como há no texto uma variação de ritmo, pode ser que você se sinta desestimulado a continuar se souber a história. Mas vale muito a pena mergulhar nos dois formatos.

A série da HBO é dirigida por Jean-Marc Valley (de “Livre”), tem roteiro de David E. Kelley e elenco excelente. Alexander Skarsgard, Adam Scott, Laura Dern e Zoe Kravitz dão um ar sombrio e elegante aos personagens do romance e os tornam mais “palpáveis” e críveis.

A trilha sonora e o figurino também merecem sua atenção! Mas eu paro por aqui torcendo pra você seguir a minha dica!  😉

Por que ler O Vendido (ou “tô rindo, mas é de nervoso”)

paul_beattyA sensação é familiar. Alguém conta uma piada racista/homofóbica/ machista e você ri, mesmo sabendo que não devia. Você começa a se mexer no ritmo do funk, até que percebe que o MC está mandando você sentar em alguém que você não gostaria. Parece louco, mas ler O Vendido é bem parecido com essas situações desconfortáveis.

É que Eu, o personagem-narrador do livro de Paul Beatty, é o retrato do politicamente incorreto. Negro, nascido na fictícia Dickens, ele foi criado como um experimento de seu pai, um psicólogo-social. Depois de adulto, ele vê sua cidade natal desaparecer, engolida pelo subúrbio vizinho. Para trazê-la de volta ao mapa dos Estados Unidos só há uma solução: reviver a segregação racial. E pra isso, ele vai usar palavras como “crioulo”, ter um escravo “voluntário”, e até criar um ônibus com assentos exclusivos para negros. Parece louco, né? Então, prepare-se para entrar no universo nonsense (e lúcido) do vencedor do Man Booker Prize de 2017. 

O incômodo inicial passa assim que você entende que O Vendido funciona justamente por tirar sarro do grupo certo. Ou seja, dessa galera que faz vista grossa para o racismo e jura de pé junto que “não é racista não, tem até um amigo negro”. Vai dizer que você não tem nenhum conhecido que insiste em atitudes preconceituosas se escondendo atrás do famoso “é mimimi”?

E prepare-se: ao longo das 316 páginas, Paul Beatty não vai ter pena do leitor, nem ser condescendente. As referências à cultura pop são inúmeras e para compreender o texto na totalidade, não se acanhe: recorra ao Google. A experiência de leitura será muito mais rica.

Curtiu? Compre O Vendido aqui na Amazon e ajude esse blog sem pagar nada mais por isso!

E leia aqui dicas para ler mais e melhor em 2018!