Uma olhada rápida nas livrarias já comprova: os homens são a esmagadora maioria entre os livros publicados. Não que as mulheres não produzam textos interessantes e de qualidade, mas ainda somos preteridas pelas editoras. Projetos como o Leia Mulheres vêm tentando diminuir esse gap entre nós, consumidoras, as escritoras. E apesar de eu ser uma leitora quase compulsiva, confesso que ainda não consegui balancear esses números na minha lista de leituras. Como ando lendo mulheres muito especiais, decidi dividir com vocês!

Autobiografia, Rita Lee

rita-lee

Eu cresci achando que “Ovelha Negra” tinha sido escrita pra mim, e lamentando não ter olhos claros e cabelos ruivos. Nunca fui fã de ninguém, mas a Rita Lee tem algo que mexe comigo desde criancinha. Quando consegui ler a sua autobiografia, não me decepcionei. Ela é realmente aquela figura espetacular que fez parte dos Mutantes e depois seguiu em carreira solo “lacrando” em todos os álbuns. Ao escrever, ela dá a impressão de não poupar nada – nem a maneira bizarra com que perdeu a virgindade, nem a treta com Arnaldo Batista, nem o uso abusivo de álcool e drogas. O melhor de tudo? A linguagem divertida com que Rita escreve faz parecer que não estamos lendo, mas apenas ouvindo uma conversa na mesa do bar. Uma delícia!

Compre aqui: Rita Lee

Sejamos todos feministas, Chimamanda Adiche

sejamos-todos-feministas_zps5yeqsa9g

Leitura obrigatória no projeto Leia Mulheres, Chimamanda Adichie vai de romances (como Hibisco Roxo e Americanah) a discursos com facilidade. Um dos mais importantes é o Sejamos Todos Feministas, texto que ganhou uma versão editada pela Companhia das Letras. Em 24 páginas, a autora lembra a primeira vez que foi chamada de feminista e o efeito disso em sua formação como pessoa, escritora e mulher. Apresentado no TED, o discurso pode ser visto aqui. Mas acredite, vale a pena ter a versão escrita e quem sabe, dar de presente para as amigas!

Compre aqui: Sejamos todos feministas

Má Feminista, Roxane Gay

ma-feminista

E por falar em feminismo, como fazer para não confundir o movimento – tão importante e necessário – com o radicalismo de quem acaba não nos representando? A americana-haitiana Roxane Gay tem a resposta: para ela, vale ser uma “má feminista” do que não ser feminista de forma alguma. Ela tenta conciliar a militância com o fato de amar ler a Vogue e dirigir ouvindo “Blurred Lines”, enquanto fala com muito bom humor sobre a condição feminina nos dias de hoje. Importante para entender como o machismo está tão inserido na cultura pop que, por vezes, nem nos damos conta dele. Imperdível!

Compre aqui: Má Feminista. Ensaios Provocativos de Uma Ativista Desastrosa

Casa dos Espíritos, Isabel Allende

casa-dos-espiritos

Neste Leia Mulheres não poderia faltar Isabel Allende. Numa época em que falar de direito das mulheres era motivo de riso, a família Trueba se mantinha unida graças às suas três mulheres: Clara, Blanca e Alba. Casa dos Espíritos passa pelos primeiros anos do século XX e vai até a ditadura de Pinochet, que tirou Salvador Allende do poder em 1973. Clara, a matriarca, tem o dom da clarividência e é responsável pela aura mágica da narrativa, misturando assuntos como socialismo e ditadura com a sensibilidade feminina e mesas que dançavam. Vale também ver o filme, com Meryl Streep, Winona Ryder e Vanessa Redgrave!

Compre aqui: A Casa Dos Espíritos

Histórias de ninar para garotas rebeldes

garotas-rebeldes

Nada de contos de fada onde a princesa só pode ser feliz se encontrar o príncipe. Agora, é a vez das garotas “rebeldes”. Rebeldes como Nina Simone, Jane Austen, Coco Chanel e Frida Kahlo, que passaram longe dos padrões pré-estabelecidos e hoje são personagens deste livro fofíssimo publicado pela VR Editora. A cada página, uma pequena biografia de cada uma e uma ilustração que valeria um quadro. Vale dar de presente para a filha, sobrinha, irmã mais nova, para a afilhada, ou até pra você mesmo.

Compre aqui: Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes