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Etiqueta: Netflix

Cinco séries girl power para maratonar no feriado

O feriado chegou e eu só consigo pensar em uma coisa: piscina de dia, brigadeiro e Netflix à noite. Pensando nisso, joguei uma caixinha de perguntas lá no meu insta pedindo dicas de séries dignas de maratona e agora divido com vocês. Algumas eu já assisti, outras ainda não, mas todas parecem valer a pena. Vamos?

Insecure

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Comecei a ver essa série justamente porque ela passa na HBO logo antes da segunda exibição de GoT. A princípio, ela não teria nada a ver comigo, garota branca do Rio de Janeiro. Mas a verdade é que mulheres de trinta anos passam exatamente pelas mesmas crises, sejam elas de identidade, carreira ou no relacionamento. E essa é a parte mais bacana da série, a mistura de bom humor com realidade e zero glamour. Não vá esperando um novo Sex and the City, apenas receba Issa Rae (atriz e criadora da série) de braços abertos. Porque se para nós, mulheres brancas, já é difícil encontrar programas de TV que nos representem bem, para as negras é mais complicado ainda. E ela merece todos os aplausos.

Onde eu vejo? HBO

Scandal

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Shonda Rhymes é, de fato, uma das mulheres mais poderosas da televisão americana. No currículo ela carrega séries como Grey’s Anatomy, How to get away with murder e… Scandal! A série chegou ao fim ano passado e desculpem se eu estiver chovendo no molhado, mas se você ainda não assistiu, pode aproveitar o feriado para começar a maratona.

A trama gira em torno de Olivia Pope, uma ex-funcionária da Casa Branca que abre uma empresa de gerenciamento de crises. Interpretada por Kerry Washington, a personagem foi inspirada em Judy Smith, ex-assessora de imprensa de George W. Bush. Smith ainda é uma das produtoras executivas da série.

Onde eu vejo? Netflix

Game of Thrones

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E eu não poderia deixar de citar GoT! Porque surpreendentemente, ainda não é todo mundo que acompanha. Com Cersei, Daenerys, Sansa, Arya e Yara Greyjoy mostrando sua força, a série vem se destacando por suas heroínas bem construídas. A última temporada está começando, peças estão se encaixando, e se você ainda não deu uma chance ao maior fenômeno da televisão mundial, sugiro fortemente que use o feriado para começar. Mas já aviso: não se apegue à ninguém. 😉

Onde eu vejo? HBO

Coisa mais linda

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Produção nacional de qualidade, a série se passa na década de 1950 e conta a história de Maria Luiza (Maria Casadevall). Quando seu marido foge levando todo o seu dinheiro, ela é obrigada a recomeçar. Para isso, o Rio de Janeiro e seu amor pela música serão fundamentais. No elenco, temos ainda Pathy de Jesus, Fernanda Vasconcellos e Mel Lisboa. É o retrato de uma época, mas ainda traz reflexões importantes sobre o que é ser mulher.

Onde eu vejo? Netflix

Já assistiu alguma dessas? O que achou? Comenta aqui com a gente!

Quatro motivos para assistir Queer Eye

Eu faço listas. Pra tudo. O tempo todo. Até para as férias, eu tinha uma lista de coisas para resolver, livros para ler, filmes para assistir… e eu deixei tudo de lado pra me jogar nas duas temporadas de Queer Eye, na Netflix! Sim, o programa de transformação mais famoso dos anos 2000 voltou repaginado. Lembra dele? Se não lembra, uma breve explicação: cinco homens gays recebem a missão de ajudar uma pessoa a recuperar a confiança e a autoestima através de uma transformação radical. Como? Você precisa assistir para saber!

Aqui vão quatro motivos para se apaixonar por Queer Eye!

#1 – O elenco é sensacional

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Tan, Bobby, Karamo, Antoni e Jonathan são especialistas em moda, decoração, cultura, gastronomia e beleza. Ou seja, os novos Fab 5 cobrem todas as áreas da vida de quem precisa de uma repaginada geral. Mas mais do que isso: eles são gente como a gente. E é curioso como você vai se identificar com homens gays americanos. Mesmo sendo mulher, heterossexual e brasileira. E se no reality show anterior quase não tínhamos acesso à vida pessoal de cada apresentador, na nova versão, os dramas de cada um tem seu espaço. O que torna tudo ainda mais delicioso de acompanhar. Identificação, lembra?

#2 – As histórias são emocionantes

Se antes Queer Eye era focado na transformação de homens heterossexuais, o reboot abriu uma gama de possibilidades. Homens, mulheres, homens trans, adolescentes, pessoas de meia idade. Em comum, sempre uma história que vai fazer você suar pelos olhos. Preste atenção no quarto episódio da primeira temporada, onde os Fab 5 ajudam AJ a contar para sua madrasta que é gay. E claro, no primeiro episódio da segunda temporada, quando conhecemos Mama Tammye. Prepara os lencinhos!

#3 – É tudo sobre confiança (e aceitação)!

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A gente meio que sabe, mas volta e meia se esquece do papel que a autoestima e a confiança têm na nossa vida. No fim das contas, o programa é sobre fazer cada um se sentir bem na própria pele. Curiosamente, quem faz isso são gays – pessoas que lutaram muito para se sentirem confortáveis sendo exatamente o que são. É quase inevitável a gente parar pra pensar como anda nosso nível de autoconfiança, sabe? Reflexão importante para quem quer ser um adulto saudável.

#4 – Você vai querer transformar a sua vida

Alguém entra na sua casa, dá um jeito na sala, te compra roupas novas, te dá um novo corte de cabelo e sua vida fica maravilhosa. Parece fútil, né? Mas pensa só em quantas vezes você já cortou o cabelo depois de terminar um relacionamento. Quantas vezes não ficou admirando aquele móvel que levou meses pra comprar? Quantas vezes não comprou uma blusinha só pra melhorar o humor (mesmo sabendo que não é bem assim que funciona)? Pois é. A verdade é que pequenas mudanças no exterior podem sim te dar mais confiança para mudar o interior. E depois de ver os 16 episódios dessa série, você vai se pegar pensando nos aspectos da sua vida que merecem uma atenção especial. E quando fizer isso, se joga! Mudar nunca é ruim. 😉

E você? Já deu uma chance para Queer Eye?

Nanette: pare o que está fazendo e vá assistir

Eu devia processar a Netflix. Porque, veja bem, eu sentei para assistir Nanette achando que ia rir. Juro, estava escrito na descrição: “a comediante australiana Hannah Gadsby reinventa o stand-up”. Eu acreditei. E acabei chorando alguns baldinhos num sábado de manhã.

nanette

Quem é Hannah Gadsby?

Para quem nunca ouviu falar dela, eu explico. Hannah nasceu na Tasmânia e passou mais de dez anos fazendo comédia. Só depois de um tempo começou a questionar a origem do seu humor autodepreciativo, sua “posição” como homossexual e seus ícones (será que a gente ainda consegue rir de Bill Cosby?). Em Nanette, seu novo show, ela fala de identidade, gênero, violência, homofobia, descobertas, a experiência de crescer em um lugar onde a homossexualidade era crime até 1997 e, claro, autoestima.

“Eu construí uma carreira com base no humor autodepreciativo. E eu não quero mais fazer isso. Porque vocês entendem o que auto depreciação significa quando vem de alguém que já existe à margem? Ela não é humildade. É humilhação. Eu me ponho pra baixo pra pedir permissão pra falar. Simplesmente não vou mais fazer isso. Nem comigo e nem com qualquer outra pessoa que se identifique comigo”, ela diz em determinado trecho do show. Faz sentido, né? Se somos nós que definimos como os outros vão nos tratar, rir de nós mesmos daria permissão para outras pessoas se comportarem da mesma maneira.

Por que eu devo ver?

Como eu quero muito que você invista uma horinha do seu tempo para ver Nanette, não vou contar aqui seus pontos altos. Mas adianto que um deles tem a ver com aqueles “turning points” que a gente torce para que existam nas nossas vidas e também nas vidas de todo amigo gay. Eu espero muito que a mãe da Hannah esteja errada – estamos trabalhando pra isso -, mas eu também sei que tempos difíceis estão por vir, e shows como este podem ajudar a mudar – pelo menos um pouquinho – nosso mindset.

Como diz a própria Hannah: “rir não é o melhor remédio. O que cura são as histórias. O riso é só o mel que adoça o remédio amargo”.

Quatro séries para maratonar no feriado

Tá órfão de Game of Thrones também e não tá sabendo lidar com a possibilidade de só ver a bundinha de Jon continuação da saga em 2019? Dá cá um abraço, vamos sofrer juntinhos. Quer dizer, nem tanto, porque eu já te poupei o trabalho e montei uma listinha de quatro outras séries incríveis pra você assistir nessa entressafra – e neste feriado maravilhoso que se aproxima. Pra ser honesta, nenhuma é de fantasia, porque, né? Por mais que essa última temporada não tenha sido maravilhooooosa, ainda é difícil de competir com GoT. Enfim, vamos a elas!

#1 – Insecure

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Comecei a ver essa série justamente porque ela passa na HBO logo antes da segunda exibição de GoT. A princípio, ela não teria nada a ver comigo, garota branca do Rio de Janeiro. Mas vou contar uma coisa aqui que talvez vocês já tenham percebido: mulheres de trinta anos passam exatamente pelas mesmas crises, sejam elas de identidade, carreira ou no relacionamento. E essa é a parte mais bacana da série, a mistura de bom humor com realidade e zero glamour. Não vá esperando um novo Sex and the City, apenas receba Issa Rae (atriz e criadora da série) de braços abertos. Porque se para nós, mulheres brancas, já é difícil encontrar programas de TV que nos representem bem, para as negras é mais complicado ainda. E ela merece todos os aplausos.

Onde eu vejo? HBO, domingo, às 23h30!

#2 – Atypical

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A premissa de Atypical é bem simples: Sam é um adolescente autista que se esforça para arrumar uma namorada, levar uma vida normal, enquanto enfrenta o bullying na escola e a superproteção da mãe. Normal, né? Pois é. E é justamente a palavra “normalidade” que fica pairando na nossa cabeça a cada episódio. Não é preciso estar dentro do espectro de autismo para ver que todo mundo já passou por um momento terrível de inadequação social. Falar algo errado, na hora errada, e se comportar de maneira diferente do esperado pode ser o fim do mundo na adolescência, e é justamente por isso que nos identificamos tanto com Sam – mesmo estando fora do espectro. A primeira temporada é curtinha (oito episódios de 30 minutos), boa para assistir depois do trabalho e, por que não, dar uma exercitada na empatia, que anda meio sumida esses dias… 😉

Onde eu vejo? Netflix!

#3 – Merlí

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Vocês também acham difícil encontrar séries para adolescente que façam algum sentido? Volta e meia me pego pensando nisso… Às vezes são séries deliciosas, mas absolutamente irreais, como Gossip Girl. Às vezes, parece que os roteiristas pularam da infância direto para a idade adulta e não fazem ideia de como é ter 17 anos. Com Merlí, graças a Deus, não acontece isso. A série espanhola pode causar estranheza já que não segue a estética hollywoodiana (e é toda em castelhano), mas lembra muito nossas novelas (latinos, né?) e por isso mesmo é sensacional! Merlí é um professor de filosofia que vai dar aula na escola (e na turma!) do filho. Acontece que ele não é nada ortodoxo e, sabe como é, né? Adolescentes sentem vergonham da maneira que os pais dizem bom dia, e isso vai causar alguns problemas na relação dos dois. Daquelas comédias com humor inteligente e irônico, sem cair no pastelão.

Onde eu vejo? Também na Netflix!

#4 – Party of Five

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Prepara o lencinho, que essa série é de chorar baldes. Se você não assistiu láááá no final dos anos 90, uma rápida sinopse. Cinco irmãos perdem os pais em um acidente de carro e tem que se virar para pagar as contas, cuidar do irmão mais novo, e ainda manter a família unida. Aqui no Brasil, ela ganhou o nome de O Quinteto e lançou atores como Mathew Fox (antes de ser o Jack, de Lost), Neve Campbell (antes do “Hello, Sidney”), e Jennifer Love Hewitt, antes de virar a rainha do grito dos anos 2000. Draminha da melhor qualidade!

Onde eu vejo? Netflix, eu te amo!

Tem mais dicas? Deixa aqui nos comentários!

 

Favoritos de agosto!

Tinha tempo que eu não fazia um post com os favoritos do mês, né? Pra compensar a ausência até dei uma caprichada nas categorias! 😉 Então, sem mais delongas (to numa fase de gírias vintage), vamos a eles!

Livro: Enclausurado, do Ian McEwan

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Tenho uma paixãozinha por livros com narradores inusitados, então, o mais recente do Ian McEwan (autor de Reparação, que eu comentei aqui) me pegou já na sinopse. A novela é uma versão inusitada de Hamlet, narrada por um feto ainda no útero. Mas nada daquela linguagem infantil – quem leu Quarto, de Emma Donoghue sabe do que eu to falando. O narrador fala como um adulto erudito, é inteligente, irônico, e extremamente interessante. As frases são incrivelmente bem construídas e a leitura flui que é uma beleza. Se você ainda não leu nada do autor, pode ser uma boa começar por esse.

Filme: Em ritmo de fuga

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Se você ama as cenas de ação de Velozes e Furiosos, mas acha que a franquia já deu o que tinha que dar, com certeza vai gostar de Em Ritmo de Fuga (ou Baby Driver, no original). Ansel Engort interpreta um piloto de fuga que trabalha para uma quadrilha e é apaixonado por música. No elenco, estão ainda Kevin Spacey (eterno Frank Underwood), Jon Hamm (eterno Don Draper) e Jamie Foxx (o eterno Django e o que mais ele quiser porque o cara é f…!). Ah, dica: vai lembrando que é filme de ação e portanto, puro en-tre-te-ni-men-to. 😉

Série: Gipsy

gipsy

Mais uma produção Netflix um pouco controversa. Naomi Watts interpreta Jean Holloway, uma terapeuta com zero escrúpulo e sem o menor pudor de se envolver na vida pessoal dos pacientes. E quando eu digo pessoal, é pessoal MESMO. Ela chega a ter um caso com a namorada de um cliente, e põe em risco seu casamento com Michael (Billy Crudup). Daquelas séries lentas, mas que deixam o nível de expectativa crescer até beirar o desconforto. Indico principalmente para aqueles que amam enredos que se passam em um consultório.

Restaurante:  Botekim do Japa

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Olha, eu nem sou muito fã de comida japonesa (#teampizza), mas preciso confessar que o Botekim do Japa sempre supera minhas expectativas. A começar pelos especiais que eles oferecem assim que você senta, geralmente maravilhosos. Não costumo comer o rodízio, mas os combos são excelentes e os ingredientes estão sempre fresquinhos, além de ter um preço bem justo para o que entregam. Para quem não conhece, o Botekim fica em Copacabana, na Xavier da Silveira. De-lí-cia!

Música: All I Can Think About is You

O ingresso para o show do Coldplay em São Paulo está comprado, a playlist no Spotify está completa, e All I Can Think About is You está tocando no repeat. Pessoas que não gostam da banda: quem são, o que comem, onde vivem, por Deus, vocês já ouviram essa música?

Vídeo do YouTube: Car Pool com Chris Martin

E por falar em Coldplay, foi Chris Martin que me fez maratonar os vídeos do Car Pool, com James Corden. Se ainda não viu, por favor! Para tudo o que você tá fazendo e vai até o YouTube. Outros episódios igualmente sensacionais: Stevie Wonder, Adele e Katy Perry (explicando a treta com Taylow Swift). Tá fazendo dieta? Acordou de TPM? Brigou com o namorado? Vai com fé que Car Pool é a receita pra curar qualquer mau humor.

E você? O que tem feito sua cabeça nos últimos tempos? Compartilha aqui, vamos trocar figurinhas! 😛

 

Porque você deve (ou não) ver 13 Reasons Why

Nos últimos dias, vivemos um turbilhão de emoções com um participante do BBB sendo expulso por agressão à namorada e uma figurinista botando a boca no mundo e acusando José Mayer de assédio sexual. Atrizes se pronunciaram, demonstraram apoio e a frase “Mexeu com uma, mexeu com todas! #chegadeassédio” bombou nas redes sociais. Enquanto o brother debochava da situação e o ator garanhão responsabilizava seu “eu-lírico” colocando a culpa no personagem da novela, outra hashtag aparecia por aí: #nãosejaumporquê. A série 13 Reasons Why, baseada no livro 13 Porquês, virou febre e teve gente maratonando todos os episódios em menos de 24 horas, logo depois de ela ficar disponível na Netflix. Mas será que essa é a melhor forma para falar de suicídio e depressão na adolescência?

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Para quem não sabe nada da série, eu sugiro assistir tudo primeiro e depois voltar aqui. Porque simplesmente não dá para falar do que precisamos falar sem soltar alguns spoilers. Em resumo, a série é narrada por Hannah Baker, uma menina bonita que em determinado ponto começa a ser tratada como a vadia da turma. Hannah se suicida deixando 13 fitas contando sua história e dizendo porque resolveu tirar a própria vida. E é aí que as coisas começam a ficar estranhas.

É impossível assistir aos dramas dos personagens e não se identificar – seja com agressor, seja com a vítima. Todos ali são um universo inteiro de inseguranças, angústias, e dores bizarras. E cada um lida como pode com as situações que vão sendo apresentadas ao longo do caminho. Tendemos a simpatizar com Hannah porque ela é narradora, e durante todo o tempo só conhecemos pessoas e eventos de acordo com a sua perspectiva. Enquanto os outros personagens se perguntam se tudo aquilo que está ali é verdade, só resta ao espectador um embrulho no estômago. Mas calma, que piora. 

Hannah se matou, e por mais que você considere os motivos “justos”, ela deixa um rastro de destruição para trás. Se adultos tem dificuldade de lidar com a culpa, imagine adolescentes passando pelos seus próprios dramas. Aqui vale um alerta: não caia na armadilha maniqueísta de achar que todos são os vilões e só Hannah é mocinha. Deixando de lado crimes graves como o estupro (e essa cena é bem difícil de assistir), preciso concordar com o Criolo: “as pessoas não são más, elas só estão perdidas”. O problema é que nem sempre há tempo.  E o suicídio está longe de ser a única saída, como a série deixa implícito.

A sensação de assistir alguém sofrendo bullying é terrível, mas a inércia dos pais, o simplesmente “não-saber”, consegue ser ainda mais angustiante. Hoje, aos 30, eu me pego entre aquele meio do caminho da juventude e a idade adulta ainda sem filhos. Eu me lembro de como era ser adolescente, lembro do caos  e me pego pensando no que eu faria caso meus filhos estivessem enfrentando um inferno particular. Eu veria? Eu perceberia? Eu tentaria ajudar? Ou eu simplesmente não teria ideia?

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Falar que “na minha época todo mundo se zoava e ninguém morria por isso” é um dos argumentos mais canalhas que eu poderia usar neste texto. Eu passei pelo bullying e, sim, tive que colar alguns pedacinhos ao longo do caminho. E não, eu não morri por isso. Mas uma coisa facilitou muito a minha passagem pelo Ensino Médio: a internet era um bebê e as redes sociais mal pensavam em existir. Como é ser adolescente em 2017? Graças a Deus, eu não faço ideia. Mas sei que nessa dinâmica bizarra – e várias vezes macabra – agressores e vítimas se confundem. E no final das contas, a ajuda deve ser generalizada e contemplar ambos os lados.

Se você deve ou não assistir a 13 Reasons Why? É uma escolha sua. Mas vá preparado para lidar com assuntos como estupro, suicídio, abandono parental e outras questões espinhosas. Uma coisa é certa: não se fazem mais séries adolescentes como antigamente. E não sei se a gente tem que agradecer por isso.